Lula pede 'carinho' na análise de reajuste do Bolsa-Família

Presidente defende a elevação do valor dos benefícios pagos pelo programa devido à inflação dos alimentos

TÂNIA MONTEIRO E LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

09 de junho de 2008 | 14h19

Na primeira parte da reunião ministerial desta segunda-feira, 9, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que os mais pobres estão tendo uma perda maior por causa da inflação de alimentos, da ordem de 8%. Por isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende que é preciso que os ministros da Fazenda e do Planejamento, Paulo Bernardo, "analisem com carinho" a possibilidade de aumento do Bolsa-Família.   Durante a reunião, Lula foi apresentado ao programa "Mais Alimentos" pelo Ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. O objetivo do programa é aumentar a produção de alimentos já a partir do próximo Plano Safra, a ser lançado ainda neste mês. O governo está preocupado com o aumento dos preços dos alimentos e o impacto na inflação. Por isso, o próprio presidente Lula defendeu a elevação do valor dos benefícios pagos pelo programa Bolsa-Família, no País.Na sua exposição, Mantega mostrou que os preços dos alimentos estão aumentando 12%, enquanto os dos demais itens estão aumentando 3%, dando um impacto médio na inflação da ordem de 5%. "Por isso, quem mais está sofrendo com isso são os mais pobres", avaliou o ministro na reunião, fazendo com que o presidente passasse a defender o reajuste do benefício que atinge 11 milhões de famílias.Lula não falou em índices em que o Bolsa Família pode ser reajustado. Na reunião da semana passada, o presidente recebeu uma proposta do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, de aumento de 6% do benefício. Existem, no entanto, outros estudos de impacto sendo avaliados pela área econômica. A idéia do governo é definir este reajuste antes do dia 4 de julho, para evitar problemas com a lei eleitoral. Produtos  Apesar da preocupação com os alimentos, os dados disponíveis pelo governo demonstram que boa parte de seus preços já está se acomodando, embora ainda haja problemas em relação ao feijão e à carne bovina. "A inflação de alimentos chegou ao ponto mais alto e a tendência daqui pra frente é cair", informou Mantega.O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, por sua vez, emendou mostrando como está o comportamento dos preços dos alimentos dos últimos 30 dias. E avisou que em "vários (produtos), estão caindo", citando como exemplo os preços do trigo e da soja. Ele salientou, porém, que "a preocupação maior do governo, no momento, é em relação aos preços do feijão e da carne bovina".

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