Lula pede que BC e Fazenda afinem discurso contra inflação

A preocupação do presidente é mostrar à população que o governo está unido e não vai perder o controle

Adriana Fernandes e Fabio Graner, de O Estado de S. Paulo,

16 de junho de 2008 | 21h43

Em conversa reservada, na manhã desta segunda-feira, 16, na BM&F Bovespa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, que, no encontro, transmitissem uma mensagem conjunta de que o governo está firme no combate à inflação. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, os três se reuniram antes dos discursos da cerimônia de comemoração pela conquista do grau de investimento pelo País.   A preocupação de Lula é mostrar à população que o governo está unido e não vai perder o controle da inflação. "O presidente pediu para mostrar que o governo já está agindo e vai agir com as armas que for preciso para debelar a alta dos preços", disse uma fonte. Lula determinou que Meirelles e Mantega deixassem claro, ainda, que o combate à inflação não vai abortar o crescimento econômico.   Em seu discurso, o presidente garantiu que o controle da inflação continuará prioritário. Segundo ele, o País enfrenta uma pressão de alta dos alimentos, que é um fenômeno global. Disse também que não é possível permitir que os aumentos pequenos se expandam, colocando em risco as conquistas do País.   "Em momentos como o atual é preciso ter muito cuidado para lidar com os problemas de curto prazo sem comprometer as conquistas de longo prazo. Por isso, o controle de inflação continuará a ser prioridade do meu governo."   Ao lado de Meirelles, Mantega, do ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, Lula classificou a volta da inflação de "o maior desafio econômico de curto prazo". Ele empenhou-se em transmitir que o governo tem feito a sua parte. Os gastos primários federais, segundo ele, tiveram crescimento inferior ao PIB. Citou também medidas como o aumento do IOF para algumas operações de crédito e desonerações de derivados do trigo.   Ao mesmo tempo, pediu à platéia que não trate isso como crise, mas como um "pequeno problema" com o qual o País pode lidar. "Os mais jovens possivelmente não dêem importância, mas, para nós, que já vivemos num País com crescimento zero e inflação de 80% ao mês, viver este momento é quase chegar perto do paraíso. Mais um pouco e nós estaremos lá." Mantega, em seu discurso, afirmou que o País continuará a crescer mesmo com inflação mundial.   Meirelles defendeu a estabilidade dos preços e disse que o Brasil entrou num círculo virtuoso depois da aplicação de medidas duras, porém necessárias para o crescimento.   Nas últimas semanas, a Fazenda e BC, depois de um longo histórico de alfinetadas, têm afinado o discurso para tentar diminuir a volatilidade nos mercados e tornar menos custoso o esforço de redução da inflação. A análise dos dois pólos da política econômica é que os preços ainda vão subir por um bom tempo, e começarão a desacelerar no fim do ano. A expectativa é que a inflação volte para o centro da meta, de 4,5%, em 2009, já respondendo às medidas de contenção da demanda.   Nesse cenário, a equipe econômica não vê problemas no reajuste dos benefícios do Bolsa-Família para recompor o poder de compra da população mais pobre. A avaliação é que mais R$ 500 milhões na despesa federal, que beneficiaria 45 milhões de pessoas, teria impacto insignificante na inflação. "O salário mínimo, que já subiu, é muito mais importante para a inflação que o Bolsa-Família", disse a fonte.   (colaboraram Leonardo Goy e Clarissa Oliveira)

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