Lula pede que Petrobras 'impulsione' desenvolvimento do País

Em decisão 'inovadora, estatal vai encomendar sondas de perfuração no Brasil

Kelly Lima, da Agência Estado,

26 de maio de 2008 | 14h46

As últimas descobertas da Petrobras vão mexer com a indústria naval no Brasil. Nesta segunda-feira, o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, disse que a estatal vai encomendar sondas de perfuração no Brasil. Segundo ele, o programa é arrojado por desafiar os estaleiros a desenvolverem a tecnologia para atender aos pedidos da empresa. A decisão é apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele admitiu que o preço no mercado internacional pode ser até inferior mas, para Lula, a Petrobras também precisa impulsionar o desenvolvimento do País. Veja também:Preço do petróleo em alta  País pode ter terceiro maior campo de petróleo   "Se deixássemos a nossa querida Petrobras trabalhar apenas com as cabeças empresariais que ocupam a diretoria, pensando em perdas e danos, obviamente ficaria mais fácil contratar lá fora. Lá talvez saísse até um pouco mais baratinho, seria menos trabalho, mais rápido. Mas é preciso ter consciência de que a Petrobras não pode existir apenas para ser a sexta maior do mundo ou a terceira das Américas. Ela existe também para ser a alavancadora e geradora do desenvolvimento deste país", disse Lula, durante o lançamento do mega pacote de encomendas de navios e sondas de perfuração que a Petrobras vai lançar. No total, destacou, serão 40 sondas de perfuração, 146 embarcações de apoio às plataformas, 23 navios petroleiros para a Transpetro e mais 19 navios que serão afretados pela área de Abastecimento. que deverão ser construídas no Brasi O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acompanhava Gabrielli no lançamento do pacote, lembrou que o governo e a Petrobras receberam críticas por pensar em comprar navios aqui, mas em sua opinião é uma "imbecilidade" fazer estas obras fora. Em discurso improvisado e inflamado a um grupo de trabalhadores do setor naval, o presidente lembrou que foi Juscelino Kubitschek que deu o primeiro passo para incentivar a indústria naval nacional, ao criar o fundo de Marinha Mercante 50 anos atrás. "Todos sabem que ele tinha visão de futuro. Ele era um estadista que percebeu que 90% do que compramos e vendemos vêm e vai de navios. A coisa mais absurda que aconteceu neste País é que algum dia alguns iluminados resolveram dizer que não precisaríamos de Marinha Mercante ou indústria naval e que ficaria mais barato comprar as coisas lá fora", disse. Ainda seguindo nesta linha, Lula completou que a "imbecilidade chega a tal ponto que não percebem que investindo aqui, vamos contratar um trabalhador, que vai virar consumidor, vai ganhar salário, vai gerar renda, comprando no comércio local, ou seja, vai ser um homem produtivo, um cidadão". Encomendas Gabrielli relembrou a trajetória da estatal nesta seara. "Quando assumimos o comando - da Petrobras - nos diziam que seria impossível construir plataformas de petróleo no país com preço e prazo adequados." "Provamos que estavam errados. As plataformas de petróleo são animais especiais, utilizam diferentes tipos de tecnologia, diferentes tipos de máquinas. E o conteúdo nacional que no início foi tímido, vimos que foi crescendo com o tempo e com a recuperação da indústria naval. Mas para operar no mar são necessários outros equipamentos e sondas de perfuração são poucas no mundo", disse, lembrando que agora será a vez de a estatal entrar nesta área. Petrobras quer lançar pacote de plataformas Além da mega encomenda de navios, embarcações de apoio e sondas de perfuração, a Petrobras pretende lançar a partir de agosto licitação para um pacote de plataformas de produção, que serão destinadas a atender ao que vem sendo chamado de pólo do pré-sal, na Bacia de Santos. O pólo, segundo o gerente executivo de Exploração e Produção da estatal, José Antônio de Figueiredo, inclui as áreas de Tupi, Jupiter e os blocos contidos no prospecto de Pão-de-Açúcar (Carioca, Parati, Bem-Te-Vi, Guará e Caramba). A idéia, segundo ele, é simplificar os sistemas de modo a acelerar o início da produção nas áreas. Até o momento ainda não há um cálculo sobre quantas plataformas serão necessárias. Este pacote será incluído na revisão do plano de investimentos da companhia, que será lançado em setembro. "Inicialmente vamos contratar FPSO (navios-plataformas que prevêem a produção e estocagem do óleo e gás), mas posteriormente estamos buscando soluções específicas para cada campo", disse Figueiredo, há pouco. A área em estágio mais avançado, disse o diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrella, é a de Tupi, para a qual já ocorreu a contratação de um navio-plataforma para o desenvolvimento do Teste de Longa Duração (TLD), que começará a operar em março de 2009, produzindo entre 10 mil e 20 mil barris de óleo por dia.  Para este TLD, segundo o diretor, a ANP autorizou que haja a queima do gás equivalente à produção, que deverá ser de 500 mil metros cúbicos por dia. "Somente com este teste teremos de fato qual o volume a ser produzido, qual o tipo de óleo e identificação de maiores detalhes sobre a área", disse Estrella. Em agosto, a estatal receberá as propostas para a licitação que está na rua para a contratação do navio-plataforma que vai explorar Tupi, produzindo 100 mil barris por dia a partir de 2011.  Também já foram licitados segundo ele, a aquisição de equipamentos e instalação de dutos que levarão o gás produzido em Tupi para o campo de Mexilhão, também na Bacia de Santos. A previsão é de que inicialmente serão transportados neste gasoduto cerca de três milhões de metros cúbicos diários. 

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