Lula pedirá "respeito às diferenças" em encontro com Bush

O Brasil quer uma relação com os Estados Unidos que seja "madura e adulta, mas que respeite as diferenças entre os países". Essa será, segundo o chanceler Celso Amorim, a mensagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva levará ao encontro com o presidente George W. Bush, no dia 20 deste mês em Washington. A conversa de Lula com Bush deverá tratar, entre outros pontos, da negociação para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). "Não temos medo de negociar, mas essas negociações devem ocorrer de uma forma que seja vantajosa para nós também", afirmou o chanceler, que ontem esteve em Genebra para receber um prêmio da Organização Mundial da Saúde por seu papel na luta contra o tabagismo. Um dos temas do atual debate regional é quanto ao prazo estabelecido de 2005 para que a negociação da Alca seja concluída. Os Estados Unidos já indicaram que não estariam dispostos a mudar o cronograma inicial. Mas de acordo com o chanceler brasileiro, os prazos não devem se sobrepor ao conteúdo das negociações. "Não vamos fazer um acordo que seja desvantajoso apenas para respeitar os prazos das negociações", afirmou Amorim. Proposta mexicanaAo contrário do Brasil, porém, os mexicanos defendem uma Alca já em 2005. De passagem por Genebra depois de participar da Cúpula do G-8, em Evian, o presidente mexicano, Vicente Fox, garantiu que seu país está trabalhando para que o prazo seja respeitado. "A Alca é uma de nossas prioridades e damos muita importância à conclusão do acordo", afirmou Fox. Para o Brasil, se a Alca se concentrar em ser uma zona de livre comércio, garantindo acesso real aos mercados, o País poderia aceitar a conclusão do acordo em menos de dois anos. Segundo Amorim, o que o Brasil não pode é aceitar um acordo sobre temas em que ainda estão sendo definidos internamente. "O Brasil ainda está definindo sua política industrial. O que não podemos é assinar um acordo e depois descobrir que não podemos atuar de uma maneira diante de nossos compromissos internacionais", afirmou o chanceler. Amorim ainda explicou que a proposta de se negociar um acordo 4+1 (Mercosul e Estados Unidos) vai na direção de garantir acesso ao mercado norte-americano. "O foco é acesso a mercado e não se trata de uma iniciativa que vá contra a Alca", afirmou. TerrorismoOutro tema que deverá entrar na agenda do encontro entre Lula e Bush será o do terrorismo. "Sabemos que os Estados Unidos estão preocupados com o terrorismo, mas queremos mostrar que devemos combater a pobreza para que se combata o terrorismo", disse Amorim, que ainda inclui temas como a cooperação no campo da ciência e tecnologia como parte da agenda bilateral.

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