Lula promete 'medidas importantes' contra crise para este mês

Presidente ressaltou que o Brasil adotará todas as medidas para diminuir os efeitos da crise internacional

Anne Warth, da Agência Estado

12 de janeiro de 2009 | 13h55

O presidente  Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, 12,  que o governo deve anunciar em janeiro importantes medidas contra os impactos da crise financeira global no País. Presente à abertura da Couromoda 2009, Lula disse também que pretende se reunir até o início de fevereiro com governadores para discutir novas medidas. "Este mês de janeiro é um mês em que estamos trabalhando para que a gente prepare todas as medidas. Como nós anunciamos o PAC em 22 de janeiro de 2007, nós vamos ter medidas importantes para anunciar neste mês de janeiro", disse Lula a jornalistas.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    Lula afirmou que os países desenvolvidos, que estão mais diretamente ligados à crise financeira internacional, sabem que é preciso adotar ações para que esse momento não dure muito. "Como consequência do desemprego que vai acontecer exatamente nesses países, nós corremos o risco de uma convulsão social que o mundo desenvolvido não esperava que acontecesse no século XXI".   Lula voltou a defender um controle mais rígido do sistema financeiro. "Tem muita gente que ganhou muito dinheiro sem produzir um prego para colocar no sapato, um cadarço, um tênis, apenas com especulação", declarou. Na avaliação de Lula, este é o momento para que o Estado prove sua importância para o Brasil e para todos os países do mundo, ao se colocar como indutor da economia e dos investimentos.   O presidente ressaltou que o Brasil adotará todas as medidas que forem necessárias para diminuir os efeitos da crise no País. Bastante otimista, Lula frisou que não deixará faltar dinheiro para investimentos e mencionou que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem a responsabilidade de não deixar que nenhuma obra do PAC pare e também de inventar novas obras. "Nesse momento, tudo o que for possível cortar em custeio, não tenham dúvida que vamos fazer. Mas tudo o que for possível fazer para gerar emprego na construção civil, habitação, rodovias e ferrovias, nós vamos fazer", afirmou.   Lula admitiu que o Brasil ainda tem alguns problemas domésticos para resolver, mas não citou nenhum deles. Apesar disso, ele ressaltou que é preciso tirar proveito da crise e preparar o País. "Tenho razões de sobra para ser otimista. Sou corintiano, católico, brasileiro e presidente da República. O Brasil está em uma situação confortável", afirmou, citando que há equilíbrio nas contas públicas e na inflação e que o País conta com um mercado interno extraordinário. Sapatada   O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está disposto a ser alvo de sapatadas por parte dos jornalistas, como ocorreu com o presidente dos Estados Unidos, George Bush, vítima do gesto que é considerado um dos maiores insultos no Iraque. Pelo contrário. Na abertura Couromoda, Lula ameaçou, em tom de brincadeira, lançar um dos calçados que estavam em um estande na direção dos fotógrafos e cinegrafistas que acompanhavam na visita. Eles gritavam para que as pessoas que estavam junto ao presidente saíssem da frente enquanto tentavam registrar os melhores ângulos de Lula.   "É para vocês fotografarem o sapato", disse, em tom de brincadeira. Mais tarde, em entrevista coletiva, Lula explicou a atitude. "Não, eu não quis dar sapatada. Eu apenas me precavi para vocês não darem em mim", respondeu, sob risos.   Não é a primeira vez que o presidente se refere ao "ataque" sofrido por Bush no dia 14 de dezembro. Durante a cúpula dos países na América Latina, na Costa do Sauípe (BA), no dia 17 de dezembro, Lula brincou, durante entrevista coletiva. "Por favor, ninguém tire o sapato", disse. "Neste calor, se alguém tirar o sapato nós vamos saber na hora por causa do chulé", acrescentou. Também na cúpula, Lula ameaçou atirar os sapatos no presidente da Venezuela, Hugo Chávez, caso seu discurso se prolongasse.   Texto atualizado às 15h49

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