Lula quer apoio de Portugal para mudança em acordos com FMI

Ao receber, hoje, o primeiro-ministro de Portugal, Durão Barroso, no Itamaraty, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu continuidade às conversações em busca de endosso por parte dos países que integram as economias desenvolvidas para que sejam realizadas mudanças nas regras do Fundo Monetário Internacional (FMI) para as nações em desenvolvimento, assim como para que se dê apoio à Argentina. Lula, que já conversou com os mandatários dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Alemanha, da Espanha e da França, quer ainda conversar com o primeiro-ministro da Itália, Sílvio Berlusconi. As informações foram prestadas pelo assessor internacional do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, ao declarar que a iniciativa do governo brasileiro não se limita a auxiliar a Argentina, mas a defender o conjunto dos países da região, de forma a apressar o desenvolvimento de todos eles. "Não defendemos só o que nos beneficia diretamente, mas o que beneficia toda a região. Tem gente que gosta de pensar pequeno, tacanho. Nós estamos defendendo o interesse de toda a região, que também nos interessa", declarou Marco Aurélio. O auxiliar de Lula lembrou que, quando o Brasil faz a proposta sobre mudanças nas regras do FMI, não está defendendo só a Argentina. "Tem outros países que estão enfrentando dificuldades também. O Peru e o Equador estão sendo duramente penalizados. Estão pagando o que não podem", comentou. Lula também pediu a criação de um fundo para proteger os países da América Latina, em caso de turbulência externa. Em todas as conversas, o presidente expressou a necessidade de aumentar os investimentos em infra-estrutura na região. Possível calote argentino Marco Aurélio não quis comentar a possibilidade de a Argentina deixar de pagar a parcela de empréstimo ao FMI. Segundo ele, o encontro do presidente brasileiro com o presidente argentino, marcado para o próximo dia 16, tem por objetivo discutir questões de interesse dos dois países. Nem Marco Aurélio nem outros assessores de Lula querem comentar diretamente o possível calote da Argentina. O mais certo, segundo informações obtidas no Planalto, é que o presidente evite entrar nesta questão. Mas a expectativa é de que o pedido para revisão do tipo de acordo que o FMI faz com os países em desenvolvimento tem por objetivo dar mais liberdade para que países façam seus próprios planos econômicos, sem seguir a cartilha do FMI, para poderem crescer, investindo em vários setores, principalmente em infra-estrutura.

Agencia Estado,

08 Março 2004 | 18h13

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