Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Lula quer apoio para o déficit zero

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já concordou com o plano de déficit nominal zero apresentado pelo deputado Delfim Netto (PP-SP), mas disse aos seus ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo, que não tomará a iniciativa de encaminhar ao Congresso a proposta de emenda constitucional (PEC) que limita os gastos públicos e que desvincula receitas, se não tiver o respaldo da sociedade e das principais lideranças políticas. Essa PEC é a base do programa e sua aprovação é considerada essencial para que o governo alcance a meta de déficit zero.O setor público registra déficit nominal zero quando faz poupança suficiente para pagar todas as suas despesas, incluindo os juros de suas dívidas. Atualmente, o setor público brasileiro tem como meta uma poupança (superávit primário) equivalente a 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB), mas ela não é suficiente para pagar toda a conta dos juros. Por isso, no ano passado, as contas públicas registraram um déficit nominal equivalente a 2,66% do PIB.Lula tem consciência de que as mudanças são polêmicas, poderão despertar fortes reações contrárias e não quer passar pelo desgate de que a PEC não ande, por falta de apoio político, como ocorreu com a PEC da reforma tributária, e termine engavetada. Outro exemplo de proposta de emenda constitucional que não anda é a que altera a estrutura sindical.Por causa disso, Lula e seus ministros, durante as três reuniões que realizaram sobre a proposta do déficit zero, encarregaram o deputado Delfim Netto de "vender" a idéia para a sociedade. Em conversa com o Estado, o parlamentar paulista disse que, no seu entendimento, a proposta de déficit zero deve ser uma iniciativa da sociedade. A articulação de Delfim começa hoje, durante um jantar com os mais importantes empresários do País, os ministros Palocci e Bernardo e representantes de oito partidos políticos, que será realizado numa casa de eventos no Lago Sul de Brasília, a região mais nobre da cidade.Os empresários convidados foram: o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf; o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro; o presidente da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA), Antônio Ernesto de Salvo; o presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Antônio de Oliveira Santos; Antônio Ermírio de Moraes, Benjamin Steinbruch, Fernando Botelho, Ivoncy Iochpe, João Guilherme Sabino Ometto, Jorge Gerdau, Josué Gomes da Silva, Márcio Cypriano, José Safra, Pedro Augusto Ribeiro Novis, Pedro Moreira Sales, Roberto Setúbal e Rogelio Golfarb.Os parlamentares convidados foram: senadores Aloizio Mercadante (PT-SP), Delcídio Amaral (PT-MS), Fernando Bezerra (PTB-RN), Renan Calheiros (PMDB-AL), Rodolpho Tourinho (PFL-BA), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e os deputados Carlito Merss (PT-SC), Custódio Mattos (PSDB-MG), Eliseu Resende (PFL-MG), Fernando Gabeira (PV-RJ), Francisco Dornelles (PP-RJ), João Almeida (PSDB-BA), Júlio Semeghini (PSDB-SP), Paudernhey Avelino (PFL-AM), Roberto Brant (PFL-MG), Sérgio Miranda (PCdoB-MG) e Vilmar Rocha (PFL-GO).Delfim Netto acha que a proposta será submetida a todos os tipos de questionamentos e ele está disposto a defendê-la em outros fóruns. A avaliação feita pelo ex-ministro da Fazenda e do Planejamento é a de que apenas os setores mais corporativos, ligados ao PT e aos partidos mais à esquerda, é que poderão reagir contrariamente. O resultado desse jantar vai definir os próximos passos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.