Lula quer colocar Brics no centro das decisões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja para a primeira reunião dos Brics, que acontecerá amanhã, na Rússia, colocar os quatro países membros do bloco no centro da tomada de decisão internacional. O encontro dos líderes do Brasil, Rússia, Índia e China acontece no momento em que esses países aumentam sua influência em meio à crise financeira mundial. O termo Brics foi criado no início dos anos 2000 para designar os quatro principais países emergentes do mundo.

CLARISSA MANGUEIRA E JAMIL JADE, Agencia Estado

15 de junho de 2009 | 07h48

Enquanto os Estados Unidos é sacudido pela crise financeira, o Brasil tem enfatizado cada vez mais que os debates sobre a política mundial devem incluir as principais economias emergentes. O Brasil também exigiu a participação das nações em desenvolvimento no G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, representadas por nações desenvolvidas e emergentes). O País tem feito sérios esforços diplomáticos nesse sentido desde a primeira reunião do grupo, em novembro do ano passado, em Washington.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, expressou na última sexta-feira (dia 12), em Paris, uma definição clara da visão do Brasil neste novo contexto. "O G-8 (grupo das principais potências mundiais) morreu. Não representa mais nada. Não sei como vai ser enterrado, porque muitas vezes um enterro acontece lentamente", disse Amorim.

A reunião dos Brics acontece menos de uma semana depois de o Brasil cumprir a principal promessa feita na última reunião do G-20, em abril, em Londres: contribuir para o Fundo Monetário Internacional (FMI). O País anunciou na última quarta-feira (dia 10) um empréstimo US$ 10 bilhões para a instituição, em um movimento sem precedentes já adotado por um país da América Latina, região que mais utiliza os empréstimos do FMI.

Crise

No Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Lula afirmou hoje que "nem os imigrantes nem os pobres são responsáveis pela crise". "Os responsáveis são os mesmos que por anos ensinaram como gerenciar o Estado."

O presidente voltou a criticar os países ricos: "Essas mesmas pessoas que nos ensinaram viram que agora não sabem mais nada, não sabem nem explicar como davam tanta aula." Lula ainda pediu que os impactos sociais da crise sejam considerados.

O presidente viaja ainda hoje para a Rússia para participar da reunião dos Brics. Com informações da agência Dow Jones.

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