Lula quer fechar 2009 com crescimento de 4% 'a todo custo'

Presidente finaliza nesta quarta novas medidas de desoneração tributária para conter desaceleração econômica

Beatriz Abreu e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

10 de dezembro de 2008 | 18h02

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está finalizando com a equipe econômica novas medidas de desoneração tributária para anunciar nesta quinta-feira, 11, durante reunião com empresários. O governo mantém firme a posição de conter, no que for possível, uma desaceleração mais forte da economia no próximo ano. A meta de sustentar o crescimento em 4% em 2009 não é aleatória e será perseguida "a todo custo" para impedir que os ganhos sociais e de geração de empregos alcançados no governo Lula sejam deteriorados pelos impactos da crise financeira, que atingiu sua fase aguda a partir de setembro.   Veja também: Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    A estratégia do governo para mapear as medidas que garantam a atividade econômica foi discutida nesta quarta-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, com os dirigentes das centrais sindicais. O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur Henrique da Silva Santos, informou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que vai anunciar, nos próximos dias, mudanças no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Segundo Santos, Mantega disse que as medidas ainda precisam do aval do presidente Lula.   O governo está sensível às reivindicações para a garantia dos empregos e da atividade econômica. O foco está colocado na desoneração tributária de impostos como o de renda para pessoas físicas e jurídicas, dos que incidem sobre as operações financeiras, como o IOF, e da produção, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), embora medidas pontuais de preservação do nível de emprego não estejam descartadas.   Imposto de Renda   Por outro lado, o sindicalista disse que as centrais saíram frustradas do encontro, porque esperavam uma decisão sobre o IRPF ainda hoje. Santos disse que o ministro não apresentou detalhes das mudanças que poderão ser adotadas. O governo, segundo o sindicalista, se comprometeu com o reajuste da tabela do IRPF em 4,5%, mas as centrais sindicais querem no mínimo uma correção pela inflação. As centrais também reivindicam mudanças nas alíquotas do imposto.   Santos informou que o ministro disse que anunciará, também nos próximos dias, medidas para diminuir o custo financeiro. Segundo o sindicalista, as centrais manifestaram ao ministro a preocupação com a necessidade de redução dos juros. Foi aí, então, segundo ele, que Mantega disse que tomaria medidas para reduzir o custo financeiro, sem, no entanto, entrar em detalhes.   Expectativa   Ao longo dessa semana, foram fortes os boatos nos bastidores do governo em torno de propostas que, do ponto de vista das empresas, poderiam ser adotadas para evitar demissões, principalmente em setores intensivos de contratação de mão-de-obra, como a construção civil. Uma delas seria a suspensão temporária do pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O objetivo seria liberar capital de giro para as empresas. A proposta, no entanto, não teve boa receptividade.   "Trata-se de uma medida que segue a lógica do governo de garantir capital de giro para as empresas, além de contornar o problema do crédito escasso e caro", reconheceu uma fonte do Planalto. "Mas o que o governo pode fazer de melhor para manter o emprego é garantir a manutenção da atividade econômica", acrescentou.   A abordagem do governo "é macro", segundo essa fonte. Ou seja, embora haja disposição de medidas pontuais, como aliás já foram adotadas para diversos setores, o raciocínio de Lula não perdeu foco: o que garantiu a geração de mais de oito milhões de empregos ao longo de seu governo foi o crescimento econômico. "A idéia central é manter a atividade econômica aquecida", completou a mesma fonte. Por isso, a insistência do Planalto em assegurar os recursos para investimentos - definidos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e nos programas sociais.

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