ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

Lula quer fim de subsídios para motivar produção de alimentos

Presidente diz que ricos devem reduzir benefícios para que pobres se sintam motivados a produzir

Agência Estado e Reuters,

02 de junho de 2008 | 07h21

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou os subsídios dados a agricultores de países desenvolvidos ao comentar a alta nos preços dos alimentos durante seu programa de rádio, Café com o Presidente, nesta segunda-feira, 2. Lula disse que para se combater a forme no mundo, uma das atitudes a ser adotada seria a de concluir o acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC), na Rodada de Doha, e fazer com que os países ricos abram mão dos subsídios dados aos agricultores. "Aí sim os países pobres vão se sentir motivados a produzir".   Veja também: Entenda a crise dos alimentos  Preço do petróleo em alta  Especial: Efeitos do grau de investimento  Ouça na íntegra o programa 'Café com o Presidente' Lula rebate críticas e afirma que etanol não compete com produção de alimento   Falando de Roma, onde participará da reunião da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o presidente adiantou que, durante seu discurso no evento, falará de programas sociais de seu governo, como o Fome Zero e o Bolsa Família, e procurará lembrar aos demais líderes mundiais que tem batido na tecla do combate à fome desde 2003, quando assumiu o governo. Lula disse ainda que a crise de alimentos é mundial, que passa pela China, Brasil, Chile, Estados Unidos e Europa.    Durante a FAO, o presidente afirmará que é preciso fazer algo urgente. "Discutir, por exemplo, porque que o preço do petróleo pode implicar no aumento do custo do produto a partir do custo do transporte e a partir do custo da matéria-prima que faz o fertilizante", disse.   "Nós temos terra no mundo, nós temos água, nós temos sol em vários países. É importante, então, que a gente comece a estabelecer uma estratégia de melhorar e aumentar a produção de alimentos e, sobretudo, tirar os subsídios na agricultura dos países mais ricos que tornam praticamente impossível do mundo pobre vender comida à Europa. Ou seja, porque não tem incentivo para produzir".   E complementou: "Se nós conseguirmos fazer isso, eu penso que nós estaremos criando as condições para que o alimento volte a se tornar acessível, sobretudo à parte mais pobre da população. Eu acho que nós queremos abrir um debate [no encontro da FAO] para discutir a questão do alimento, a questão da inflação e também discutir como fazer para que as pessoas não joguem a culpa do preço dos alimentos em cima dos países pobres mais uma vez".   Grau de investimento   Ao analisar o fato de mais uma companhia de análise de risco, a inglesa Fitch, ter atribuído ao Brasil o grau de investimento, Lula disse ter a certeza de dizer ao povo brasileiro que "a economia está no caminho certo".  Essa foi a segunda agência desse tipo que deu esse status ao Brasil. Antes, a nota havia sido dada pela Standard & Poor's.   "O fato do Brasil ser reconhecido por uma segunda agência como grau de investimento demonstra que nós estamos acertando na política fiscal, demonstra que nós estamos acertando na política de investimento, e tudo isso é resultado de uma coisa bem planejada, pensando no futuro".   Lula disse que no País hoje se combina o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) com "uma política de desenvolvimento produtiva que nós lançamos no País, você vai dando ao mundo e aos investidores a certeza de que o Brasil está levando a sério essa história de se transformar num país de uma economia altamente sustentável e de um novo ciclo de crescimento".

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