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Lula quer forçar negociação para destravar Doha

Presidente propõe que emergentes flexibilizem tarifas de importação e ricos reduzam subsídios

Leonencio Nossa, do Estadão,

16 de outubro de 2007 | 16h58

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, 16, na República do Congo, que pretende forçar "uma negociação" com os Estados Unidos e a Comunidade Européia para destravar a Rodada de Doha. Em declaração ao lado do presidente da República do Congo, Denis Sassou-Nguesso, Lula propôs que países em desenvolvimento, como o Brasil, flexibilizem tarifas de importação de produtos industrializados e, por sua vez, os países ricos, reduzam os subsídios agrícolas.  "O que quero é um grande acordo para que a União Européia facilite a entrada dos produtos dos países mais pobres e os Estados Unidos diminuam a quantidade de subsídios na agricultura interna. E os países em desenvolvimento, como o Brasil, flexibilizem seus produtos industriais", disse. Lula adiantou, no entanto, que a flexibilização não pode causar danos às indústrias dos países emergentes. "Os países que estão em desenvolvimento agora não podem abdicar de sua indústria. O problema é que essa flexibilização tem que ser proporcional a cada país."  Lula foi aplaudido por autoridades da República do Congo e pelo presidente do país quando criticou os países ricos. "O que estou propondo é que os países ricos parem de tratar os países pobres como se fossem pedintes", disse. O presidente provocou risos entre os presentes quando comentou a amizade do ditador do Congo, Denis Sassou-Nguesso com o presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI). "E quem é presidente do FMI não pode ser amigo de ninguém", afirmou. O próprio Nguesso riu. Lula disse que dirigentes de órgãos como o FMI e a Organização Mundial do Comércio (OMC) não conhecem a realidade da América do Sul e da África pois nunca pisaram em países em desenvolvimento. Em sua fala, Nguesso disse que a simpatia da população da República do Congo ao Brasil vem desde o ano de 1967, quando o time de futebol Santos, tem Pelé como principal jogador, disputou uma partida em Brazzaville. Ele também comentou uma visita que fez à Bahia. "Eu estava na praia e vi que era o mesmo povo". A região da República do Congo foi um dos pontos de onde saíram escravos para o Brasil.  Algodão Lula comemorou ainda a decisão da OMC de considerar, em relatório divulgado na segunda-feira, ilegais os subsídios aplicados pelos Estados Unidos aos produtores de algodão. Segundo o presidente, a decisão é resultado de esforço do grupo dos países em desenvolvimento. "Isso é o que podemos chamar de vitória da unidade", disse. Ele afirmou também que a comunidade européia e Estados Unidos não concretizam o que seus líderes propõem na ajuda aos desenvolvimento. "A verdade verdadeira é que falar em livre comércio é muito mais fácil que praticar", afirmou. Lula disse a representantes do governo da República do Congo que o biodiesel é uma alternativa para acabar com a miséria na área rural do Congo, uma das maiores reservas de petróleo do continente africano. "Em vez de fazer perfurações de milhares de metros, é possível produzir combustível cavando vinte centímetros", afirmou, referindo-se ao plantio de oleaginosas. Os presentes ao encontro riram.

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