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Lula quer parceria com a China para produzir biocombustíveis na África

Em discurso, presidente ressaltou que ?nem o Brasil deve ter medo da China nem a China deve ter medo do Brasil?

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem em Pequim que o Brasil e a China criem parceria para a produção de biocombustíveis na África, o que poderia reduzir o temor dos chineses de que o projeto afete a produção de alimentos e ajudar a reduzir a pobreza naquele continente. "Nós poderíamos estar dando aos países africanos - que passaram todo o século 20, o século 19 e o século 18 sem esperança - a esperança e a certeza de que no século 21 eles poderiam ter a chance que não tiveram nos séculos passados", declarou o presidente no discurso de encerramento do seminário que reuniu quase 300 empresários brasileiros e chineses na manhã de ontem em Pequim.A emergência de China e Brasil no cenário internacional e o aumento da participação de ambos os países nos fóruns globais permearam o discurso de Lula. "Estamos aprendendo a gostar de ser ricos", ressaltou o presidente, destacando que os dois governos ainda têm muito o que fazer para melhorar o padrão de vida de suas populações.O presidente ressaltou que o aumento do peso dos países emergentes é um caminho sem volta. "E vocês não imaginam o prazer, a satisfação de nós começarmos a sentir que nós somos grandes, que nós temos importância, e que ninguém nunca mais vai sentar à mesa de negociação dizendo: ?Não precisamos convidar China e Brasil, porque eles são pobres?." Em todos os encontros que teve com autoridades chinesas, Lula afirmou que o momento atual é de consolidação da parceria estratégica entre os dois países. O presidente repetiu em várias ocasiões que a China se tornou o maior destino das exportações brasileiras nos primeiros quatro meses deste ano, superando os Estados Unidos.Mas ressaltou que é necessário diversificar e aumentar o valor agregado às exportações, para reduzir a dependência de commodities sujeitas a flutuações bruscas de preço no mercado internacional. "O dado concreto é que nem o Brasil deve ter medo da China nem a China pode ter medo do Brasil. Temos de conversar cada vez mais, como duas grandes nações, duas grandes economias, com um potencial de complementaridade que não existe entre o Brasil e nenhum outro país nem entre a China e nenhum outro país."Lula conclamou os empresários da plateia a ter ousadia. "As oportunidades não aparecem na porta da nossa casa, batendo. Nós temos de percorrer o mundo, procurando essas oportunidades. Nós temos de descobrir nossos parceiros." O número de empresários que acompanharam a visita de Lula superou as estimativas de representantes do setor privado e 220 executivos de pouco mais de 100 empresas compareceram ontem ao seminário promovido pelo Banco de Desenvolvimento da China (BDC). Ainda assim, a comitiva não chegava à metade da que acompanhou Lula em sua primeira viagem ao país asiático, em 2004.Durante o evento, a montadora chinesa Chery confirmou o investimento para instalar uma fábrica no Brasil, na qual serão produzidos 150 mil veículos ao ano. A empresa ainda não definiu em qual Estado será instalada a fábrica. Já a fabricante de motocicletas Zongshen assinou contrato com a brasileira CR Motos para investir US$ 80 milhões em uma fábrica na Zona Franca de Manaus, que deverá estar pronta em agosto.Também foi anunciado um memorando de entendimentos entre a LLX e a MMX e a chinesa Wuhan Iron and Steel, que vai analisar a viabilidade de construção de uma siderúrgica no Rio de Janeiro, com capacidade para 5 milhões de toneladas de aço/ano.

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