Lula quer que a Vale compre navios no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar da Vale investimentos em siderurgia para gerar mais empregos e riquezas em Estados que possuam mais minério. Em discurso na sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Lula repetiu que não tem divergências com a Vale, mas insistiu em que a empresa deve agregar valor aos produtos que exporta.

LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

16 de setembro de 2009 | 19h22

"Vocês estão acompanhando uma pseudodivergência minha com a Vale. Eu apenas quero que a Vale exporte um pouco de valor agregado, que gere mais riqueza nos Estados que têm mais minérios, que compre navios no Brasil e não na China. Porque, qual é a chance de desenvolvermos a nossa indústria e gerarmos empregos se nós mesmos compramos lá fora?", questionou o presidente.

Ele relatou que, em encontro com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, ouviu análises de que, se a estatal petrolífera comprasse plataformas de petróleo em Cingapura, teria um ganho de US$ 100 milhões por unidade. "Eu disse: ''Sérgio Gabrielli, quanto a gente vai ganhar se a gente gerar emprego aqui, arrecadar impostos aqui e adquirir tecnologia? Isso não pode ser contado?'' Uma indústria, mesmo sendo privada, tem de pensar no País tanto quanto o presidente da República, ou será que a responsabilidade é só do presidente e não dos agentes econômicos?"

O presidente avaliou que o setor siderúrgico brasileiro "ainda está acanhado", embora tenha passado por um processo de modernização. "Embora tenha ocorrido modernização do setor, do ponto de vista quantitativo produzimos (por ano) 35 milhões de toneladas (de aço), e a China, 545 milhões. O mais grave é que parte dessa produção da China é (feita) com nosso minério."

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