Lula queria inauguração no fim do segundo mandato

O planejamento da Transnordestina desenvolveu-se durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006). A ideia de Lula era inaugurar em 2010, ao final de sua segunda administração, a ferrovia pela qual seriam escoadas as toneladas de soja produzidas nos municípios do sul do Piauí.

O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2012 | 02h01

Controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do empresário Benjamin Steinbruch, a Transnordestina Logística S/A recebeu a concessão da obra, ainda quando se chamava Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN).

A meta era abastecer os dois principais portos nordestinos (o cearense Pecém e o pernambucano Suape) com a soja, um dos pilares da pauta de exportações agrícolas brasileiras.

De acordo com o plano, nos cinco anos seguintes à inauguração, a ferrovia estaria capacitada para transportar até 30 milhões de toneladas de grãos, minérios e cargas variadas ao longo de suas três linhas de circulação.

Logo o acordo entre Lula e Steinbruch começou a dar errado. O início dos trabalhos data de 2006, mas o ritmo da obra nunca foi considerado ideal pelo governo. Já em 2007, o presidente notou que não conseguiria inaugurar a obra da forma como pretendia. A partir daí, começaram os desentendimentos que resultaram no atual impasse.

Naquele ano, a então ministra da Casa Civil, hoje presidente Dilma Rousseff, inconformada com a demora na elaboração do planejamento executivo, criticou Steinbruch publicamente. Ela avisou, à época, que "o governo não vai aceitar que essa obra seja empurrada com a barriga".

Com o respaldo de Lula, Dilma falou ainda que o governo financiava "quase tudo" da construção da ferrovia pioneira.

"Ele (Steinbruch) entra com apenas R$ 570 milhões de um total de R$ 4,5 bilhões", reclamou a então ministra do segundo governo Lula.

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