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Lula reduz importância da Selic e critica juros bancários

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que está preocupado com os juros efetivos da economia. Lula disse que estava levando para a viagem à Europa uma leitura de cabeceira - um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) - e questionou: "Qual é o problema do Brasil?" Para responder, leu uma série de taxas de juros cobradas da pessoa física, como o crédito direto ao consumidor e empréstimo pessoal. "Cheque especial, de quem é cliente preferencial e tem dinheiro no banco, é de 9,77% ao mês e de 209% ao ano", disse ao ler o estudo do Ipea. Para o presidente, os juros do cartão de crédito, por exemplo, são "um crime que se faz contra a classe média". Ele também falou de algumas taxas para pessoas jurídicas, como desconto de duplicata, empréstimos para capital de giro e cheque garantido. "A taxa média para pessoa jurídica é de 5,12% ao mês e de 78,15% ao ano. Para pessoa física, é de 8,36% ao mês e 158% ao ano", explicou.Ele comentou que, quando voltar da viagem à Europa, irá fazer uma discussão sobre as taxas de juros. Entretanto, não disse com quem será feita essa conversa. "Acho que tem muito mais coisa na ordem do dia do que a taxa Selic. Fico sempre imaginando que, se todos os juros do Brasil tivessem o porcentual da Selic, nós teríamos uma fila de gente que daria volta ao planeta terra querendo dinheiro a 26,5% ao ano", argumentou. Lula disse ver uma "contradição" entre a diferença dos juros praticadas de mercado, a taxa Selic (26,5%) e o acumulado em 12 meses de alguns índices como o IGP-M (32%), o IPCA (16,66% ) e o IGP-DI (32,37%). "Você percebe que todos os índices estão muito abaixo do juro real de mercado que as pessoas pagam. Vocês pagam e muitas vezes não se dão conta", afirmou.PromessasO presidente reafirmou que nenhum país no mundo consegue fazer com que as taxas de juros oferecidas, tanto pelo Banco como pelo governo, sejam maiores do que as taxas de lucro advindas do sistema produtivo. "Portanto, está claro que vamos fazer esse País voltar a produzir", comentou. Ele disse estar tranqüilo de que conseguirá fazer as mudanças necessárias para o Brasil. "Esse País vai voltar a crescer, gerar emprego e ter distribuição de renda. Para isso é que eu fui eleito e é isso que eu quero fazer" , garantiu. Logo após a entrevista, Lula se dirigiu ao heliporto da fábrica da Rolls Royce com destino ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, onde embarcaria para Genebra, na Suíça.

Agencia Estado,

30 de maio de 2003 | 18h02

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