Lula reserva agenda na 4ª para discutir demissões com Embraer

No encontro, presidente lembrará o fato de que fabricante de aviões recebeu uma 'grande ajuda' do governo

Leonencio Nossa, da Agência Estado,

20 de fevereiro de 2009 | 16h25

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 20, que está aberto ao "diálogo" com dirigentes da Embraer. Ele poderá conversar com eles na próxima quarta-feira sobre uma forma de solucionar o problema da demissão de 4.270 trabalhadores da empresa, relatou um interlocutor do presidente à Agência Estado. Na agenda de Lula, está reservado um espaço na próxima quarta-feira, 25, para uma reunião com dirigentes da Embraer, mas a data desse encontro ainda pode ser alterada. Lula gastou boa parte do dia de hoje em conversas e telefonemas para avaliar as demissões na Embraer.   Veja também: BNDES não tem como interferir em demissões na Embraer Força Sindical quer ir à Justiça contra demissões da Embraer Sindicato tenta barrar entrada de funcionários da Embraer Embraer anuncia corte de 20% dos 21,3 mil funcionários De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise   Em conversa com um grupo de auxiliares no Palácio do Planalto, pela manhã, Lula comentou, segundo a fonte, que está numa cruzada para manter o otimismo do mercado e da sociedade e afirmou que a decisão da empresa de demitir funcionários não se justifica no atual estágio da crise financeira e foi um "mau comportamento", que atinge o "lado psicológico" do mercado.   O presidente, em conversa com auxiliares, disse que o governo não toma medidas "no varejo" para resolver conflitos causados pela crise financeira, mas considera que a decisão da fábrica de aviões de demitir 20% de seus empregados foi uma "pancada violenta", que justifica a intermediação direta do Executivo.   O interlocutor de Lula antecipou que o presidente, no encontro que terá com os dirigentes da empresa, lembrará o fato de que a Embraer recebeu uma "grande ajuda" do governo quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiou aviões comprados pela Azul. "Que história é essa de sair demitindo sem mais nem menos?", reclamou o presidente, num primeiro momento, quando soube das demissões, segundo um assessor direto.   Na conversa de hoje com auxiliares, Lula se mostrou "abatido" e "surpreso" - termos reproduzidos pelo assessor - com a decisão da empresa de demitir. "Nesta crise, o governo não se colocará contra as empresas, e sim ao lado delas, mas tem de haver concessões de todos os lados", completou o presidente. Ele afirmou que o governo, neste momento, tem de buscar o diálogo.   Lula avaliou, segundo o interlocutor, que não há fatos que justifiquem demissões em massa no País, como a anunciada pela Embraer. Na primeira análise que fez sobre o caso das demissões na empresa, o presidente observou que a Embraer perdeu cerca de 30% das encomendas - a maioria absoluta de compradores de países atingidos pela crise - e que vende para o mercado nacional apenas 4% dos aviões que produz. É preciso encontrar "saídas", segundo Lula, que ajudem a Embraer e os trabalhadores.   A notícia da demissão em massa na Embraer não foi digerida pelo presidente, segundo um alto funcionário do Palácio do Planalto, mas Lula orientou assessores e ministros a atuarem no caso sem "bravatas", "pirotecnias" ou "propaganda". O governo, costuma lembrar Lula, não é sindicato. "Em economia, não se pode fazer bravatas, falar coisas sem fundamento, e isso vale muito para o caso das demissões na Embraer", disse. "O governo tem de mediar os conflitos, que são normais entre trabalhadores e empresas num momento em que há desaceleração do crescimento."

Tudo o que sabemos sobre:
LulaEmbraerdemissões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.