Lula responde a críticas de países do Mercosul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu em discurso na reunião de cúpula do Mercosul, às críticas a problemas comerciais feitas por países que integram o grupo do mercado comum. "Não há como esconder a existência de um certo mal-estar. Nosso esforço não se tem traduzido em benefícios reais, principalmente para os países menores. Basta olharmos para os números de comércio. Faltou-nos em muitos momentos agilidade para por em prática decisões que adotamos e compromissos assumidos. Muitos dos esperados ganhos da integração não se materializaram. Persistem por isso questionamentos e mesmo recriminações mútuas" afirmou o presidente. Ele disse que os obstáculos precisam ser vencidos com ousadia e determinação buscando soluções criativas para os setores afetados por situações adversas. Lula disse confiar que todos os países consigam encontrar respostas aos problemas e ressaltou que a integração é um instrumento importante e fundamental para o desenvolvimento da região.O presidente disse desejar que o Mercosul "vá além da simples eliminação de tarifas". Não podemos recuar, porém, do aperfeiçoamento da união aduaneira. Não devemos ceder à tentação das soluções fáceis para questões pontuais de comércio, que não refletem a realidade maior dos ganhos que a integração oferece". O presidente defendeu que o Mercosul apresente respostas afirmativas para alcançar o desenvolvimento e disse que o exemplo dessa resposta é o programa para a eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum que abre caminho para a livre circulação de mercadorias no bloco. "Temos de avançar na harmonização de políticas públicas comunitárias; precisamos conformar uma política industrial comum que pense de maneira integrada os nossos sistemas produtivos. Um fato crucial foi reconhecer a necessidade de superar as assimetrias econômicas entre nossas economias", afirmou o presidente, que defendeu a criação do Fundo para Convergência Estrutural e Fortalecimento das Instituições do Mercosul, do qual o Brasil será o maior financiador.Superação de entravesO presidente disse ainda que o Brasil está disposto a iniciar um trabalho "de superação efetiva" dos entraves e dificuldades ao comércio registrados no âmbito do Mercosul.Como contribuição para a presidência pro tempore do bloco que será agora exercida por seis meses pelo Uruguai, Lula sugeriu que seja feito um levantamento minucioso dos obstáculos e compromissos pendentes na agenda econômico-comercial do bloco. "Esse balanço orientará uma pronta resposta nossa aos problemas pendentes", afirmou o presidente brasileiro.Lula enumerou as contribuições que o Brasil tem dado para consolidar a integração dos países do Mercosul e do Continente sul-americano. "Temos dado demonstrações significativas de confiança no nosso futuro comum", afirmou. "Estipulamos e realizamos importantes investimentos em setores estratégicos da economia de nossos vizinhos. Capitais brasileiros estão presentes nos setores de indústria, agropecuária, energia e infra-estrutura, gerando riqueza e empregos."Lula admitiu, no entanto que, apesar disso, ainda não se concretizaram plenamente as potencialidades dos investimentos conjuntos. Ele reiterou o compromisso de o BNDES passar a atuar também como banco de fomento regional.O presidente aproveitou o discurso para mandar um recado aos presidentes e representantes dos demais nove países que participam da reunião - além dos quatro membros do Mercosul, estão presentes os presidentes ou ministros de Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia e Chile: "Em nosso processo de integração, não há lugar para hegemonismos, nem podem prevalecer interesses imediatos e visões de curto prazo".Segundo o presidente brasileiro, no momento em que a região enfrenta desafios da consolidação democrática, o Mercosul contribui para a estabilidade política e institucional dos países.KirchnerO presidente da Argentina, Néstor Kirchner, deixou a reunião de Assunção ontem, alegando que tinha um compromisso do Dia da Bandeira, em Rosário.Ao final de seu discurso, Lula conclamou a todos, não só os presidentes e ministros, mas também empresários, políticos e setores representativos da sociedade dos países membros e associados do Mercosul a colaborarem com a integração da América do Sul. "Devem olhar além de seus interesses específicos e momentâneos", observou. "Não basta que exerçam a crítica legítima. Devem igualmente, de forma criativa, contribuir com propostas e soluções para as questões que a própria integração suscita.Volta antecipadaO presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou em uma hora o seu retorno a Brasília e para surpresa de sua própria assessoria se levantou no meio da reunião dos presidentes dos países do Mercosul e seguiu para o aeroporto. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, continuou participando da reunião.

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