Lula revela em Cuba que quis tomar banho de petróleo no ES

Presidente diz que foi alertado por Gabrielli de que não seria possível devido às substâncias prejudiciais do óleo

João Domingos, de O Estado de S. Paulo,

31 Outubro 2008 | 14h53

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou revelando, no discurso que fez durante assinatura de um contrato da Petrobrás com a Cuba Petróleo, que pretendia tomar um banho de petróleo ao participar recentemente, no Espírito Santo, da inauguração oficial do processo de extração de óleo da camada do pré-sal. "Eu fui ao Espírito Santo e botei a mão em óleo tirado de 4.000 metros (de profundidade). Eu queria tomar um banho de petróleo. Mas o Gabrielli (José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás) me disse que não podia, porque ainda há muito produto prejudicial no petróleo cru", relatou. Na ocasião, Lula limitou-se a lambuzar as mãos de óleo.   Veja também: CMN aprova resolução que libera crédito de R$ 8 bi à Petrobras Apex abre escritório em Cuba; Petrobras assina acordo O caminho até o pré-sal Mapa da exploração de petróleo e gás   Na presença do presidente cubano, Raúl Castro, que chegou de surpresa à cerimônia de assinatura do contrato, Lula afirmou que, se houver petróleo no litoral de Cuba, "a Petrobrás vai encontrar", seja a 3 mil metros, seja a 7 mil. "Porque, no Brasil, descobrimos uma quantidade tão grande de petróleo que ainda não podemos medir." Acrescentou que a tecnologia desenvolvida pelo Brasil de exploração de petróleo em águas profundas transformará o País "num dos maiores produtores do mundo".   Raúl Castro iniciou seu discurso anunciando que falaria pouco por "não ter a inteligência nem falar tão bem quanto Lula" e, surpreendentemente para um governante de um país comunista, acabou citando Deus. Lembrando o fato de que, no Golfo do México, os Estados Unidos e o México possuem petróleo, disse que deve haver também no território e no mar cubanos. "Deus não pode ser tão injusto de não ter deixado petróleo para Cuba", disse.   Lula lembrou, em seu discurso, que as Nações Unidas aprovaram nova resolução determinando o fim do embargo comercial dos Estados Unidos a Cuba. "Certamente (a resolução), não valerá nada, porque já estamos habituados a que as resoluções da ONU não sejam cumpridas pelos grandes, só pelos pequenos", afirmou o presidente. Mas acrescentou que, de qualquer forma, valia recordar uma expressão muito usada no Brasil: "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura".   Lula anunciou para o início de dezembro uma visita de Raúl Castro ao Brasil para participar de um debate sobre a crise internacional do qual participarão países da América Latina e Caribe.   Em seu último compromisso público em Havana, o presidente brasileiro esteve no Estado-Maior da Defesa Civil, onde ouviu relatos sobre os efeitos de recentes furacões sobre a ilha de Cuba e prestou solidariedade às vítimas. Lula disse que assistiu a um filme de 30 minutos sobre esses furacões e ficou muito impressionado.   Comentou que seu governo enviou a Cuba 1.500 toneladas de arroz e enviará mais 15.000. Acrescentou que pretende conseguir emprestado da Espanha um navio de 50 mil toneladas para enviar a Cuba, Haiti, Jamaica e Honduras mais 45 mil toneladas para serem distribuídas em duas semanas. Explicou que o empréstimo será necessário porque o Brasil não possui um navio que transporte 50 mil toneladas, "o Brasil tem déficit de 10 bilhões de dólares anuais em frete marítimo."

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