Lula se despede de Angola defendendo maior intensidade no comércio

Presidente diz que 'é uma vergonha' para os brasileiros o fato de Angola importar cimento de Portugal

Leonêncio Nossa,

18 de outubro de 2007 | 21h17

No último compromisso da viagem à África, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, no encontro com empresários, que é "uma vergonha" para os brasileiros o fato de Angola importar cimento de Portugal e plataforma de petróleo da Coréia do Sul. Em discurso empolgado e otimista, Lula minimizou a dificuldade de transporte entre Brasil e Angola, um gargalo para as importações de produtos brasileiros pelos africanos. "É pertinho. Acendeu uma luz lá no Brasil e a gente consegue ver daqui", disse. "O cimento brasileiro poderia ser colocado em cima de um isopor para chegar em Angola" acrescentou.A platéia de cerca de 200 pessoas aplaudiu e riu das metáforas e brincadeiras que o presidente recorreu para levantar a auto-estima dos angolanos. Ele comentou, por exemplo, que os nigerianos colonizados por ingleses já lhe manifestaram o desejo de falar português. Lula comentou ainda um aspecto que mexe com os angolanos: a guerra civil que destruiu o país. "Graças a Deus, os angolanos aprenderam com a guerra que é muito melhor construir do que destruir pontes", disse. O presidente não perdeu oportunidade de incentivar a produção de biodiesel, embora o país seja uma potência na África na produção de petróleo. Ele pediu mais facilidade na concessão de vistos de entrada para brasileiros, mas ressaltou que defende a preservação de postos de trabalho para angolanos. O presidente disse que, "lamentavelmente", Brasil e Angola foram colônias e cobrou esforço do setor produtivo para garantir a independência dos dois países. " Para evitar um fiasco na Copa, Angola tem que treinar. Não pode ficar só olhando a seleção brasileira jogar", comparou. "Precisamos praticar futebol e independência", disse ainda.

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