Lula se diz 'abismado' com classificação dos EUA por agências

'Eu fico abismado de ver que o risco americano é zero. Estão numa crise desgraçada e não têm risco', afirma

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

09 de maio de 2008 | 12h44

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comemorou mais uma vez a classificação de grau de investimento concedida ao País pela agência de classificação de risco Standard & Poor's. Ele disse, porém, que fica "abismado" com os cálculos feitos por essas agências, na avaliação dos riscos de outros países, como os Estados Unidos.   Veja também: Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos   Na elite do mercado mundial    "Eu fico abismado de ver que o risco americano é zero. Estão numa crise desgraçada e não têm risco. Aumenta o risco no Brasil, aumenta o risco na Rússia e os americanos estão entupidos de dívida até aqui - sinalizando o pescoço - e o risco é zero. É uma inversão das empresas que medem esse risco, na minha opinião", disse, no discurso de improviso, de cerca de 30 minutos, na cerimônia simbólica de lançamento das obras do gasoduto Cacimbas-Catu.   Lula voltou a dizer que o Brasil vive hoje um momento de magia e afirmou que "nunca trabalhou com a idéia de que o Brasil poderia crescer 10 ou 15% ao ano. Segundo ele o país já cresceu isso na década de 70 e que a idéia, agora, é de que possa crescer "5%, 5,5%, 6% e 4,5%". "Mas que cresça por longo período , porque nós vamos construir uma base sólida de um país industrializado para que não retroceda quando acontecer uma crise asiática", afirmou.   O presidente defendeu que instituições poderosas como a Petrobras,o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal não pensem só em lucro próprio, mas que sejam capazes de repassar os benefícios para a população. "A Petrobras não pode pensar só no custo benefício para a empresa. A Petrobras é a menina de ouro dos nossos olhos. Mas ela não tem que pensar no lucro que tem, mas no benefício que vai criar no Pais. Se não for assim a gente não vai desenvolver", afirmou, dirigindo-se ao presidente da empresa,. José Sérgio Gabrielli, que participou da cerimônia.   Lula lembrou a resistência que houve no mercado ao nome de Gabrielli para a presidência da Petrobras. "É engraçado. Eu ganhei as eleições não foi pedindo voto para o mercado. Eu pedi voto foi para o povo. Como eu não poderia indicar o Gabrielli?", indagou o presidente que a partir daí fez rasgados elogios ao presidente da Petrobras.   O presidente acrescentou, porém, que quando Gabrielli tenta fazer alguma coisa errada, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que é presidente do Conselho da Petrobras, e que também estava presente à cerimônia, trata de enquadrá-lo. Quando não, ele próprio, o presidente, o enquadra.   Safra No discurso, Lula comemorou ainda a nova estimativa de safra agrícola brasileira, de 142,6 milhões de toneladas, na pesquisa de abril do IBGE. Segundo ele o Brasil poderá chegar a 150, 160 e 180 milhões de toneladas. Ele voltou a defender o aumento da produção de alimentos, e disse que não considera grave a elevação dos preços dos alimentos. Para o presidente esse aumento não pode ser encarado como desastroso, porque reforça mais uma chance de se fazer uma revolução agrícola.

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