Lula se diz incomodado e chateado com fracasso de Doha

Presidente atribui fim das negociações na OMC às eleições presidências nos Estados Unidos e na Índia

Leonencio Nossa e Lisandra Paraguassu, de O Estado de S. Paulo,

30 de julho de 2008 | 16h32

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se declarou "chateado" e "incomodado" com o fracasso das negociações da Rodada Doha, que atribuiu às eleições presidenciais nos Estados Unidos e na Índia. Em rápida entrevista no Itamaraty, após almoçar com o presidente da Costa Rica, Oscar Arias Sánchez, ele disse não restar alternativa imediata aos países senão negociar fora do âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), partindo para acordos bilaterais. Veja também:Índia pede que fim de discussão em Doha seja visto como pausaApós Doha, Brasil se concentra em 'resultados', diz AmorimNegociações da Rodada Doha fracassam com impasse agrícola Os problemas que levaram as negociações ao fracasso Vencedores e perdedores após colapso de DohaPrincipais datas que marcaram a rodadaVeja a reação no Brasil após o fracasso das negociações da OMC Ao atribuir o fracasso das conversações da Rodada Doha às eleições presidenciais nos Estados Unidos e na Índia, o presidente da República foi explícito, citando o último ano da gestão George W. Bush e a possível candidatura a presidente da Índia do ministro do Comércio, Kamal Nath, que endureceu as negociações em Genebra com a representante americana do Comércio, Susan Schwab. "O Brasil fez o que podia e o que não podia para ter um acordo que favorecesse os países economicamente menores e de agricultura frágil", enfatizou. "Está claro que fizemos as concessões na área industrial e na agricultura e está claro que eles não fizeram o que tinham de fazer", completou o presidente da República, sem detalhar se estava se referindo aos Estados Unidos, Índia e China, os protagonistas da falta de consenso das conversações de Genebra. Para Lula, a Rodada Doha não acabou, tendo havido, com a ausência de acordo nas negociações, "uma pausa para reflexão". Ele lembrou que há um ano e meio vem insistindo nos encontros que tem com chefes de governo e de Estado que "o problema na OMC não é econômico, mas político". Na sua opinião, a Rodada Doha "não precisa mais de técnicos, mas de presidentes e ministros que possam sustentar suas posições e decidir". Lula disse esperar que os Estados Unidos e a União Européia cumpram pontos que foram acordados na Rodada Doha. "Vamos continuar lutando. Os governantes perderam uma oportunidade extraordinária para ajudar os países mais pobres", ressaltou. Ao seu lado, o presidente da Costa Rica declarou que o fracasso das conversações em Genebra "é uma demonstração da hipocrisia dos países ricos, que sempre dizem que querem ajudar os países da África e da América Latina". Arias classificou como "lamentável" a ausência de acordo nas conversações da Rodada Doha.

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