Lula se reúne com cúpula do setor de energia

Pauta da reunião com ministros foi segurança do abastecimento de energia no País

Leonardo Goy, de O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2008 | 20h02

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, 9, com o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, o diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, e com o diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, informaram fontes do governo.  A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que em tese voltava apenas nesta quinta, 10, de férias, também participou também da reunião. Além dela, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, teve de abreviar suas férias para participar do encontro. Nenhum dos participantes do encontro quis comentar a reunião.    Veja também:  CEEE propõe campanha pelo uso eficiente de energia   Segundo fontes, a pauta da reunião segurança do abastecimento de energia no País, uma vez que a situação preocupante dos reservatórios das hidrelétricas fez ressurgir o temor de um racionamento de energia. As fontes informaram que Hubner, Tolmasquim e Chipp tentaram, durante toda a conversa, convencer Lula de que as premissas usadas pelo diretor da Aneel para avaliar os riscos de racionamento estariam equivocadas.     O assunto ganhou destaque na terça-feira, 8, após uma declaração de Kelman, de que "não é impossível haver racionamento" de energia neste ano. Hubner, que concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira à tarde, rebateu a declaração, descartando a possibilidade de haver apagão neste e no próximo ano.      "Tem analista para tudo. Faz cinco anos que eu estou no governo e todo ano tem gente dizendo que vai faltar energia. E não faltou", disse. O ministro ainda explicou que a situação de baixa nos níveis de água dos reservatórios não deve ser interpretada como um alerta à população. Hubner, que nessa mesma entrevista declarou que o governo já possui um plano de contingenciamento do gás natural, caso seja necessário racionar o combustível, afirmou que eventuais medidas nesse sentido seriam tomadas por meio de uma decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), respaldada pelo presidente da República.   Hubner, que nessa mesma entrevista declarou que o governo já possui um plano de contingenciamento do gás natural, caso seja necessário racionar o combustível, afirmou que eventuais medidas nesse sentido seriam tomadas por meio de uma decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), respaldada pelo presidente da República.   "Se houver necessidade, as ações serão tomadas e as medidas legais colocadas", afirmou. De acordo com o ministro, o fornecimento de gás às usinas termelétricas já está excedendo as cotas previstas no termo de compromisso firmado em maio do ano passado, entre a Petrobras e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Rumores   Hubner também negou rumores de que teria se reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou que o encontraria ainda hoje para falar da situação do setor elétrico. Segundo ele, a última vez que conversou pessoalmente com Lula foi na última sexta-feira.   Ele disse que o quadro atual é diferente do registrado em 2001, quando ocorreu o racionamento de energia. O ministro reconheceu que no último trimestre de 2007, "o ciclo hidrológico foi desfavorável e houve um retardamento das chuvas". Mas ele lembrou que o País está ainda apenas no 10º dia do período em que normalmente chove com mais intensidade, que vai de janeiro a abril.   Hubner afirmou que as usinas termelétricas foram acionadas para garantir a segurança do sistema elétrico. "A previsão hidrológica é uma ciência incerta. Por isso antecipamos a geração das térmicas", explicou.   Reservatórios   O nível dos reservatórios de água nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste continua caindo, apesar do esforço do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para poupar as hidrelétricas ao despachar as termelétricas. O Informativo Preliminar Diário da Operação do dia 8 de janeiro, publicado nesta quarta pelo ONS, mostra ligeira queda de 0,1 ponto porcentual no nível de armazenamento das usinas das duas regiões, para 44,7% da capacidade total.   Por conta disso, a diferença entre a curva do nível de armazenamento dos reservatórios e a curva de aversão ao risco (CAR), referência do operador para o volume de água necessário que garantiria o abastecimento do mercado com segurança, diminuiu ainda mais. A variação para CAR caiu de cinco pontos porcentuais, no dia 7, para 4,3 pontos porcentuais, no dia 8, tendo em vista que a CAR foi elevada de 39,8% para 40,4% no mesmo período.   A situação é ainda mais grave porque as usinas do Sudeste e Centro-Oeste estão tendo de enviar energia ao Nordeste desde o fim do ano passado. A situação na região, porém, registrou ligeira melhora. No Nordeste, o nível dos reservatórios avançou de 27% para 27,1%, do dia 7 para o dia 8. No Sul, o documento informa recuo de 0,3 ponto porcentual no volume de água nos reservatórios da região, para 74% da capacidade total.

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