Lula sinaliza ajuda à Varig e ações disparam

As ações da Varig disparam na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), depois das declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por volta das 11h30, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto da companhia) atingiram a máxima de R$ 1,80, depois de terem encerrado a quinta-feira em R$ 1,16. Às 13h, o papel é cotado a R$ 1,52, em alta de 31,03% em relação ao fechamento de ontem. Lula, que participou hoje do lançamento do Feirão da Casa Própria, realizado pela Caixa Econômica Federal, em São Paulo, disse que o governo não vai colocar dinheiro público na empresa. Contudo, elogiou a proposta apresentada ontem pelo juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Luiz Roberto Ayoub, que conduz na Justiça o processo de recuperação da companhia. E disse ainda: "podemos financiar a salvação, desde que a Varig cumpra seu papel". Ontem, Ayoub afirmou que o desenho de uma proposta de salvamento da Varig pode ser fechada até a próxima terça-feira. Uma das idéias em discussão, e que permitiria a participação do BNDES, é a divisão da Varig em duas empresas: uma que operaria as rotas domésticas e outra controlando as linhas aéreas internacionais. A nacional, saneada das dívidas, seria leiloada a investidores privados. Já a outra, além das rotas internacionais, arcaria com as dívidas, mas também ficaria com os créditos de cerca de R$ 4,5 bilhões que a Varig cobra na justiça da União por causa de prejuízos sofridos com planos econômicos do passado, além de créditos de ICMS, estimados em R$ 1,2 bilhão, de 15 Estados - créditos que também são frutos de ações judiciais. Há detalhes desse modelo ainda sem explicação e a idéia não é exatamente nova. Quando o ministro da Defesa ainda era José Viegas, em 2004, integrantes do governo federal chegaram a vazar uma minuta de medida provisória que previa intervenção federal na Varig e sua cisão em duas companhias. À época, no entanto, a intenção era entregar a empresa saneada às concorrentes Gol e TAM, mantendo a outra gerida pelo governo. Interesses do governo A movimentação da alta cúpula do governo em relação à situação da Varig ficou mais intensa nos últimos dias. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, depois de passar semanas negando a possibilidade de um empréstimo do BNDES para salvar a Varig, admitiu na quarta-feira que a instituição poderá financiar a operação, desde que um novo investidor dê garantias. O ministro Waldir Pires voltou a afirmar hoje que a falência da Varig não interessa a ninguém, mas também evitou entrar nos detalhes da discussão. "Estamos construindo uma solução, e esperamos que, com certa rapidez, seja possível tranqüilizar a sociedade brasileira", disse o ministro. "O que desejamos é que o Brasil continue tendo uma bandeira voando pelos céus do mundo e servindo a população internamente", declarou Pires.

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