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Lula sugere que EUA estatizem bancos em dificuldade

A frágil situação dos bancos estrangeiros, ainda sem solução, pode provocar "surtos de instabilidade" no cenário mundial e atrapalhar o incipiente processo de recuperação da economia brasileira. O alerta foi feito hoje pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante a primeira reunião do ano do Conselho Político, formado por representantes de 14 partidos da base aliada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse no encontro que os Estados Unidos deveriam estatizar temporariamente os bancos em dificuldades, em vez de apenas injetar dinheiro neles.Lula não está sozinho. A mesma proposta vem sendo defendida pelo ex-presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) Alan Greenspan e pelo Nobel de economia Paul Krugman. Os desafios do presidente dos EUA, Barack Obama, são o centro das preocupações de Lula. "Rezo todo dia mais para o Obama do que para mim. Se metade das rezas que faço para ele fizessem para mim, eu já teria virado santo", brincou.O presidente também se mostrou apreensivo com a situação da China, que depende fortemente das exportações para os países mais afetados pela crise. Meirelles e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, exibiram dados que indicam melhora na economia brasileira em relação ao pior momento da crise.O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse que tanto Meirelles quanto Mantega mostraram que o volume de crédito no mercado interno atingiu US$ 620 bilhões e retornou aos níveis de setembro, graças à atuação forte dos bancos públicos e de grandes instituições privadas. Os dois também informaram que os volumes estocados na indústria, inclusive automobilística, caíram - o que indica melhora no desempenho das vendas.Esses dados permitiram a Mantega descartar o risco de recessão técnica no Brasil, segundo informou o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (RS). A recessão técnica ocorre quando o Produto Interno Bruto (PIB) cai por dois trimestres consecutivos. No caso, há risco de haver queda do produto no quarto trimestre de 2008 e no primeiro de 2009. Se os dados otimistas exibidos hoje se consolidarem, porém, essa hipótese fica cada vez mais distante.

LU AIKO OTTA, VERA ROSA, LEONÊNCIO NOSSA, TÂNIA MONTEIRO E FABIO GRANER, Agencia Estado

18 de fevereiro de 2009 | 20h12

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