Lula tenta mostrar que governo não está parado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá hoje dois encontros com empresários, numa ofensiva para reforçar a blindagem da economia contra a crise política. No primeiro, pela manhã, receberá presidentes de confederações. Os empresários farão um apelo para que o governo saia da paralisia e se concentre em uma "agenda mínima" para que o crescimento econômico não seja sacrificado. Esse encontro é iniciativa dos empresários.À tarde, Lula recebe um grupo menor, que ele mandou convidar para discutir a situação da economia. Articulada pelo ministro de Assuntos Institucionais, Jaques Wagner, e pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, essa conversa terá como objetivo traçar uma linha clara entre a crise política e o desempenho da economia. Será uma oportunidade de mostrar um Lula operante, que conta com o apoio do setor produtivo quando se trata de manter a governabilidade. Numa preparação, Palocci esteve anteontem em São Paulo, onde jantou com um seleto grupo de empresários.Da reunião da tarde, participam: Jorge Gerdau (Grupo Gerdau), Abílio Diniz (Pão de Açúcar), Antoninho Marmo Trevisan (Trevisan Auditores e Consultores), Benjamim Steinbruch (CSN), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira (Firjan), Gabriel Jorge Ferreira (Confederação Nacional das Instituições Financeiras), Fábio Barbosa (ABN Amro Bank), Gustavo Marin Garat (Citibank), Horácio Lafer Piva (Klabin), Lúcio Bittar, Miguel João Jorge Filho (Banco Santander), Milu Vilela (Instituto Faça Parte Brasil Voluntário), Roberto Setúbal (Banco Itaú), Roger Agnelli (Companhia Vale do Rio Doce).Conforme antecipou o Estado em sua edição do último dia 25, os empresários passaram a cobrar uma "agenda mínima" do governo porque acham que as denúncias de corrupção devem ser apuradas, mas não podem concentrar todas as energias do governo. Eles acham que não basta manter a macroeconomia arrumada, como vem sendo feito até agora. É preciso avançar na agenda de reformas econômicas, para não colocar em risco o crescimento futuro. Embora os indicadores ainda mostrem a economia em boa forma, o ambiente de incertezas já está afetando decisões de consumo e investimento, segundo admitem integrantes da equipe econômica.Os empresários acham, além disso, que é necessário manter em funcionamento o dia-a-dia do governo. As salvaguardas comerciais contra China, por exemplo, até hoje não saíram do papel por falta de regulamentação. Empresários do setor cobraram pressa do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e ouviram a explicação que elas estão paradas por causa da mudança de comando na Casa Civil. Também está pronta, há semanas, uma reformulação do programa de investimentos federais em estradas. Aguardam anúncio pelo presidente Lula.Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a agenda mínima não é estática e representa muito mais do que uma lista de propostas prioritárias que devem ser encaminhadas até o final do ano. "É uma provocação do Congresso, do governo, da sociedade, para a conscientização da necessidade de outros temas caminharem enquanto a CPI apura as denúncias". Ele disse que tem mantido contatos freqüentes com os presidentes da Câmara, Severino Cavalcanti, e do Senado, Renan Calheiros. Na terça, conversou com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Mesmo que não haja consenso em torno de uma lista, não importa, desde que haja a movimentação para as coisas caminharem", disse. "É uma agenda de aprovação". Ele citou alguns projetos que considera importantes: Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (está na Casa Civil); o projeto de reformulação do Sistema Brasileiro de Concorrência (também parado na Casa Civil), a regulamentação do fundo garantidor das PPPs. (colaborou Gilse Guedes).

Agencia Estado,

05 de agosto de 2005 | 01h20

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