Lula tenta realinhamento com a Argentina de olho na Alca

Ao desembarcar, na noite desta quarta-feira, na capital da Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estará apenas fazendo uma visita protocolar. Nos acenos de reaproximação ao país vizinho está a tentativa de uma aliança bem pragmática, a um mês da Conferência Ministerial da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), em Miami. Depois do impasse na reunião da Alca em Trinidad e Tobago e da debandada do G-22, grupo de países em desenvolvimento capitaneado pelo Brasil, Lula quer reforçar os laços bilaterais com a Argentina dentro do Mercosul. É justamente para criar um contraponto aos Estados Unidos que Lula e o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, lançam na quinta-feira o tão esperado "Consenso de Buenos Aires".O texto nada mais é do que uma carta de intenções, uma declaração de princípios para uma "agenda progressista". Há ali a defesa veemente de novas relações comercias internacionais e todo um enunciado que prega o fim dos subsídios agrícolas e do protecionismo americano. O documento destaca a importância da globalização com justiça social. Na prática, trata-se do reverso do surrado "Consenso de Washington", o polêmico conjunto de medidas que durante os anos 90 alimentou o neoliberalismo na América Latina.Ainda na quinta-feira, Lula encerrará um seminário empresarial que vai abordar os desafios da integração na América do Sul. Palocci e o ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, também serão debatedores. Outro compromisso importante do presidente em Buenos Aires será a visita ao Congresso, onde ele fará um discurso contundente em defesa do Mercosul, da soberania nacional e do bom relacionamento entre Brasil e Argentina. Na sexta-feira, Lula acompanhará Kirchner à gélida El Calafate, berço político e terra natal do presidente argentino, no extremo sul do país.

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