Lula termina reunião com presidentes sem definir preço do gás

O que mais se esperava da reunião entre os presidentes da Bolívia, da Argentina, da Venezuela e do Brasil não foi definido: o preço do gás. Ao final do encontro, realizado em Puerto Iguazú (Argentina), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse apenas que o Brasil e a Bolívia discutirão as pendências bilateralmente, que o abastecimento está garantido, mas os preços ainda serão discutidos.Lula destacou ainda que investir ou não na Bolívia é uma decisão da Petrobras. "Os investimentos ou não da Petrobras são uma decisão de uma empresa que tem autonomia para investir, e vai continuar investindo no estrangeiro, inclusive na Bolívia, de acordo com os acordos que possam ter entre a YPFB, o governo da Bolívia e o governo brasileiro. Como empresa, ela investirá onde tiver possibilidade de investir e puder ter retorno de seus investimentos".Na quarta-feira, a companhia anunciou que deixará de investir na Bolívia devido às novas regras do setor de hidrocarbonetos - nacionalização das operações de gás e petróleo do país. Em resposta a isso, o presidente da Bolívia, Evo Morales, emitiu nota hoje em que considerou a atitude da Petrobras como uma "chantagem". O presidente Lula destacou ainda que o encontro consolidou a posição dos presidentes de buscar a integração do continente. "Queremos dizer ao mundo que somos adultos e responsáveis. Queremos dar uma chance à América do Sul, com economia forte", afirmou.SoberaniaO presidente reiterou respeitar a soberania boliviana em nacionalizar as reservas de petróleo e gás e, ao mesmo tempo, indicou estar disposto a ajudar o governo boliviano. "Sei dos problemas do presidente Evo Morales e, desde o primeiro dia (do governo dele) tenho me colocado à disposição para que discutamos, e agora mais fortemente com os presidentes Chávez e Kirchner, de que forma podemos trabalhar juntos para elaborarmos projetos que possam ajudar no desenvolvimento da Bolívia", declarou.Lula rejeitou a crítica que setores da diplomacia brasileira e analistas das relações internacionais têm feito ao posicionamento do governo brasileiro. "Primeiro, eu não sei qual é a solução concreta que os críticos desejam. Não tenho a menor noção de qual é a solução concreta", disse o presidente tratando de desqualificar as críticas por ele recebidas.

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