Lula transmitiu a Brown preocupação com crise nos EUA

Até a semana passada, as declarações de Lula reforçavam capacidade do Brasil de enfrentar turbulência

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

24 de janeiro de 2008 | 19h27

Em um tom mais grave que em suas manifestações anteriores sobre o assunto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comunicou nesta quinta-feira ao primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, por telefone, sua preocupação com os efeitos de uma possível recessão nos Estados Unidos sobre a economia da América Latina.   Veja também:  Bolsas asiáticas mantêm recuperação; Hong Kong destoa e cai  Société Générale anuncia perda de 4,9 bi de euros com fraude  Bolsas européias se recuperam e fecham em forte alta  Bush confirma pacote e Bolsa amplia alta  Dólar termina semana comportado; Bolsa sobe mais de 6%  Veja como ficam seus investimentos com a crise nos mercados  Especialistas recomendam cautela com ações  Entenda a crise nos Estados Unidos   Celso Ming comenta a crise no mercado financeiro     Até a semana passada, as declarações de Lula reforçavam a capacidade do Brasil de enfrentar uma turbulência externa com epicentro nos EUA. Na quarta-feira, o próprio presidente colocou o tema na primeira reunião ministerial deste ano e orientou sua equipe a trabalhar para fortalecer o mercado interno e proteger a economia brasileira.   A conversa entre Lula e Brown, que tomou a iniciativa de ligar para o presidente brasileiro, segundo seus assessores, começou às 10 horas da manhã e durou 15 minutos. Brown telefonou para tratar dos novos desdobramentos da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), neste começo de ano, e para sondar Lula sobre sua mais nova proposta a criação de um organismo internacional para o monitoramento de crises, o chamado early warning.   Durante a conversa, Brown não chegou a dizer se essa nova autoridade trabalharia desvinculada do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird) organismos que, a rigor, têm a missão de prever e contornar turbulências econômicas, especialmente as que demonstram capacidade de contaminação externa.   Segundo o porta-voz do Palácio do Planalto, Lula não comentou se concorda ou não com a idéia de Brown. Preferiu concentrar-se nos mecanismos necessários para evitar efeitos deletérios de uma crise externa sobre as conquistas da América Latina na área de desenvolvimento econômico. O presidente brasileiro teve o cuidado de, ao mencionar a América Latina, não abordar especificamente a situação do Brasil.

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