Lula vai à TV defender regras do pré-sal

Presidente fará pronunciamento em rede nacional no domingo

Leonencio Nossa e Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará na noite de domingo, véspera do Dia da Independência, um pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão para defender as regras propostas pelo governo para a exploração do petróleo na camada do pré-sal.

Com a disputa sucessória cada vez mais próxima, ele exaltará, como já fez recentemente, que as jazidas de óleo representam a "segunda independência" do País.

Para pressionar o Congresso Nacional a votar o quanto antes o marco regulatório do setor, ele dirá ainda que a hora para definir com quem toda essa riqueza vai ficar é agora. O presidente não quer, segundo assessores, que a oposição use a demora na regulamentação do pré-sal para atacar o governo e dizer que tudo não passou de uma encenação eleitoreira.

O discurso de domingo será o terceiro "grito de independência" de Lula em rede nacional desde que assumiu o governo. Em janeiro de 2006, ele afirmou que a antecipação do pagamento da dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) era a independência do País. Já em setembro daquele ano, ele disse que o "marco" de independência era a autossuficiência de petróleo.

Gravado na manhã de ontem no Palácio da Alvorada, com duração entre 10 e 12 minutos, o pronunciamento que será veiculado no domingo lembra o discurso feito por Lula no 7 de Setembro do ano passado. Na época, ele prometeu entregar a proposta do pré-sal em "algumas semanas" e realizar um "debate amplo" com a sociedade.

Já neste ano, ele usa o mesmo instrumento para pedir urgência na votação dos quatro projetos do pré-sal. O presidente quer reforçar a ideia de que a votação das propostas é uma necessidade nacional e marcar posição na disputa com os oposicionistas, que acusam o governo de não querer discutir o tema.

Sem garantia dos líderes governistas de que os projetos serão votados nos próximos meses, Lula tenta tirar proveito político do pré-sal.

BANDEIRA

Embora as novas jazidas só devam gerar recursos mais substanciais a partir de 2015, o governo pode empunhar desde já as novas regras como uma bandeira da campanha de sua candidata à sucessão, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Lula reafirmará no pronunciamento deste domingo que o País criará uma indústria petrolífera moderna e garantirá recursos para a educação e o combate à pobreza, como disse no ano passado, e também para ciência e tecnologia, cultura e meio ambiente.

A área ambiental virou uma das prioridades do fundo que o governo pretende criar com os recursos do pré-sal com a entrada da senadora Marina Silva (PV-AC) na disputa presidencial de 2010.

Lula afirma, no pronunciamento, que a exploração do pré-sal representa uma riqueza do País que vai ficar com o "povo". Em meio à briga dos Estados produtores com as demais unidades da Federação pelos royalties do petróleo, Lula, segundo um interlocutor, insistirá que não se pode permitir que tanta riqueza fique concentrada nas mãos de poucos.

O presidente dirá que sua preocupação é estabelecer, desde já, a divisão desta riqueza com todos os brasileiros de todas as regiões e Estados.

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