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Lula vai atacar a ''economia irreal'' e pedir limites

Discurso do presidente na abertura do encontro, hoje, deverá ter um recado duro aos ?causadores da crise?

Lu Aiko Otta, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

Decidido a dar um duro recado aos países ricos, onde começou a crise, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve defender hoje que o sistema financeiro fique mais fortemente vinculado à economia real e não mais a papéis especulativos, que refletem uma riqueza muitas vezes inexistente. Esse deverá ser o foco do discurso de hoje, na abertura da reunião do G-20 Financeiro, que reúne presidentes de bancos centrais (BCs) e ministros de finanças dos países desenvolvidos e dos principais emergentes.A grande quantidade de papéis lastreados em hipotecas imobiliárias sem garantias (subprime) são um exemplo do que o governo brasileiro considera um produto financeiro que não reflete a economia real. Avalia-se que títulos dessa qualidade deixaram a economia suscetível à crise financeira que tomou conta do mundo e ameaça transformar-se numa forte retração econômica.O governo brasileiro tem se queixado do fato de os países emergentes estarem pagando caro por uma crise que não causaram. Na visão do Planalto, é necessária alguma limitação ao sistema financeiro e esse limite teria de ser dado pelos estados, de forma coordenada.Em seu discurso, que ainda estava recebendo os últimos retoques ontem à noite, Lula deverá fazer referência ao novo governo norte-americano. Entre os assessores palacianos, foi bem-recebida a declaração do presidente eleito, Barack Obama, de que sua prioridade zero será o combate à crise. Isso foi visto como sinal de boa disposição para discutir as mudanças nos organismos internacionais que vêm sendo pleiteadas pelo Brasil. "Sem o apoio dos Estados Unidos, não tem possibilidade de reforma", reconhece um auxiliar do presidente.Lula deverá defender, em seu discurso, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial sejam redesenhados de forma a dar mais poder aos países emergentes. É bandeira antiga do governo brasileiro mudar a relação de poder nesses organismos, que refletem o status econômico do mundo pós-guerra e não dá voz a países que ganharam importância desde então, como o Brasil e a Austrália, por exemplo. Embora sejam sócios, esses países jamais ocuparam a presidência desses organismos. Além disso, Europa e Estados Unidos têm votos suficientes para bloquear qualquer proposta que não seja de seu interesse.A reforma dessas instituições multilaterais foi defendida por Lula também num artigo escrito para a revista G-20, que circulou ontem. "O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial têm de se adaptar às novas realidades ou perder a relevância", escreveu o presidente. Ele acrescenta que os desafios que se colocam no mundo atual, como a crise, o aquecimento global, a segurança energética e o combate à pobreza, não podem mais ser enfrentados sem uma participação ativa dos países emergentes.Nesse quadro, Lula defendeu o fortalecimento do G-20, que foi criado em 1999 justamente a partir da constatação que países importantes na economia mundial não tinham um foro internacional para coordenar políticas com os países desenvolvidos."A criação e o fortalecimento de fóruns mais diversos e representativos, como o G-20, constituem um passo essencial na formação de um sistema internacional de tomada de decisões que responda às necessidades e expectativas dos dias atuais."

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