Lula vai tratar barreira argentina como "incidente"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca, na quinta-feira, na região da Tríplice Fronteira com a disposição de não deixar que a mais recente desavença comercial entre Brasil e Argentina azede a 26.ª Reunião de Cúpula do Mercosul. Lula deverá tratar a decisão do governo argentino de restringir a importação de eletrodomésticos brasileiros como "incidente de percurso" e reforçar a necessidade de continuidade da política de integração regional. Por meio dessa tática, o Palácio do Planalto espera não perder o que considera um "momento especial" para o Mercosul e, principalmente, o seu desempenho na presidência temporária do bloco neste segundo semestre. "Não há animosidades entre o Brasil e a Argentina", afirmou à Agência Estado o secretário especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. "O governo argentino respondeu a pressões do empresariado. A idéia de impor restrições aos eletrodomésticos brasileiros já vinha sendo discutida há algum tempo." Na prática, o governo brasileiro não estará ausente da discussão sobre a medida anunciada na segunda-feira pela Argentina. Mas pretende tratar do imbróglio em conversas técnicas bilaterais e, se não houver recuo, nos mecanismos de solução de controvérsias do Mercosul, como em casos anteriores. Ao lidar com sangue-frio, o governo também pretende evitar que uma velha proposta argentina tome impulso. Trata-se da adoção de um mecanismo de compensação para desequilíbrios econômicos, que viria a calhar com as perspectivas de redução do ritmo de crescimento da Argentina e de elevação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro a partir deste semestre.

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