Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Lula volta a defender acordo para conclusão de Doha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o discurso no almoço oferecido hoje ao presidente da Coréia do Sul, Lee Myung-Bak, para voltar a defender a necessidade de os países se entenderem e darem mais um passo concreto em relação à finalização da Rodada Doha de comércio multilateral, da Organização Mundial do Comércio (OMC). "A conclusão da Rodada Doha deixou de ser uma oportunidade. Ela é hoje uma necessidade urgente", disse o presidente reiterando a importância de darem andamento às negociações e justificando que "o comércio livre será um poderoso instrumento de resolução da crise". Segundo Lula, "Coréia e Brasil estão unidos na defesa de mais integração, mais comércio, menos distorções e menos protecionismo". Depois de comemorar o salto de 183% do comércio entre os dois países, citando que ele cresceu de US$ 1,9 bilhão em 2002 para US$ 5,4 bilhões em 2007 e poderá chegar próximo aos US$ 8 bilhões este ano, o presidente Lula falou que "ainda tem muito espaço para crescer e, sobretudo, de forma mais equilibrada". Para o presidente, a parceria entre Coréia e Brasil torna-se "ainda mais estratégica no momento em que o mundo enfrenta uma crise financeira de proporções sem precedentes" e voltou a pregar a necessidade de "uma pronta e abrangente ação para debelar os principais fatores de turbulência global". Para o presidente, é preciso privilegiar a economia real, os investimentos produtivos e as atividades geradoras de renda e empregos para conter a ameaça de recessão".EUAO ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou hoje que considera improvável que o futuro novo governo dos Estados Unidos rejeite o acordo final da Rodada Doha.O chanceler explicou que o Partido Democrata (vencedor das eleições para a Presidência da República e para o Congresso dos EUA em 4 de novembro) tem uma visão muito multilateralista e que será muito difícil para o presidente eleito, Barack Obama, se contrapor a um acordo celebrado por 153 países que inclui os próprios Estados Unidos. "Nesse caso, é muito melhor ele (governo Obama) aceitar", disse Amorim. Na avaliação do chanceler brasileiro, o texto do acordo final da Rodada Doha, que há alguns meses poderia ser considerado "chocho", hoje dará um sinal positivo para a economia real. Questionado sobre a resistência da Índia, da China e da Indonésia ao acordo, Amorim afirmou que esses países também se preocupam com o fracasso da Rodada e querem uma solução. Ele acredita também que os termos do entendimento trarão amplas vantagens em termos de abertura de mercados e eliminação de distorções no comércio internacional, mas também acarretarão um custo para todos os países e para seus governantes, sem distinção (inclusive para Obama).Em princípio, uma reunião ministerial deve ser convocada pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, em dezembro para, na versão mais otimista, fechar o acordo. Para Amorim, a melhor data seria o dia 8 de dezembro, porque isso daria tempo para que qualquer impasse possa ser diluído até, possivelmente, o dia 19, quando ocorre a reunião do Conselho da OMC, a última do ano.

DENISE CHRISPIM MARIN E TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

19 de novembro de 2008 | 17h13

Tudo o que sabemos sobre:
criseRodada DohaLula

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.