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Luta por sobrevivência mantém mercado de fusões aquecido em 2009

Seja por carência de liquidez num momento de escassez de crédito ou para enfrentar a abrupta desaceleração em setores que estavam crescendo a toda velocidade, a luta pela sobrevivência vai manter aquecido o mercado de fusões e aquisições em 2009, segundo a Anbid. "A expectativa é de mais concentração em setores como o financeiro, de construção civil e de agronegócio", disse Carolina Lacerda, coordenadora da subcomissão de fusões e aquisições da entidade, a jornalistas nesta quinta-feira. Mesmo depois de um ano de intensa consolidação, o setor financeiro deve voltar a ser um dos líderes em fusões, segundo a Anbid, contrariando a avaliação do presidente do Bradesco, Marcio Cypriano, que na última segunda-feira disse não ver mais espaço para grandes operações de bancos no país. "Ainda vemos espaço para consolidação", disse ela, acrescentando que as compras e fusões no setor devem incluir transações de corretoras de valores e seguradoras. Em 2008, o setor financeiro respondeu por 35,7 por cento dos 100,4 bilhões de reais em fusões envolvendo empresas brasileiras, com destaque para a união entre BM&F e Bovespa. A Anbid não computou a fusão entre Itaú e Unibanco, que ainda não foi aprovada pelo Banco Central. No agronegócio, a escassez de recursos motivada por receitas menores, devido à forte queda nos preços de commodities deve ser a motriz para mais consolidação, de acordo com a representante da Anbid. Já o ramo imobiliário, que no ano passado já teve operações como a compra de 60 por cento da Tenda pela Gafisa e a compra da BR Brokers Abyara, vai ser pressionado pela forte desaceleração no ritmo de financiamento para a compra de imóveis, segundo a Anbid, o que já levou diversas companhias a congelar planos de expansão em 2009. Na ponta compradora, os principais candidatos à compra de controle ou de participações em empresas são os fundos de private equity, que estão fortemente capitalizados. Porém, mesmo com a expectativa de reabertura da oferta de crédito no segundo semestre, a Anbid já tem como certo que os anúncios de novas fusões em 2009 tendem a ser menores do que no ano passado, devido à escassez de recursos, nos bancos e no mercado de capitais, para financiar essas operações. "É inevitável pensar numa redução de volumes para este ano", afirmou Carolina. RANKING Em volume financeiro, os 100,4 bilhões de reais das fusões e aquisições realizadas em 2008 foram 14,8 por cento inferiores ao montante de um ano antes. O dado inclui reestruturações de empresas e ofertas públicas de aquisição de ações. Em número de transações, a queda foi ainda maior, de 15 para 94. Outro dos efeitos da crise no setor foi a mudança da participação dos investidores envolvidos nessas transações. As fusões e aquisições envolvendo exclusivamente empresas brasileiras, que em 2007 haviam respondido por apenas 25,6 por cento do total, pularam 73 por cento no ano passado. Enquanto isso, a posição de estrangeiros como compradores de empresas domésticas, ou realizando operações entre estrangeiras, caiu de 55,4 por cento para 14,8 por cento. Dentre os bancos coordenadores de operações realizadas, o Goldman Sachs manteve a dianteira em 2008, tanto em volume quanto em número de transações. Dentre os negócios anunciados, o Rothschild ficou em primeiro em volume financeiro, com 148,8 bilhões de reais, e o UBS Pactual conseguiu a dianteira em número de anúncios, com 18. Pelos números da Anbid, há pelo menos 133,5 bilhões de reais em fusões e aquisições anunciadas em 2008, com a conclusão prevista para este ano. Dentre elas, está a fusão Itaú-Unibanco, avaliada em 106,9 bilhões de reais, a compra da Brasil Telecom Participações pela Oi, por 5,9 bilhões de reais, e a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

05 de fevereiro de 2009 | 15h46

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