Luxo se adapta aos novos tempos

Mercado vive mudança de valores

, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

Após sofrer um forte baque com a crise econômica internacional, a indústria do luxo começa a repensar sua forma de atuação. No Brasil, o mercado que produz bens e serviços para o público formado por ricos e milionários também foi atingido pela turbulência mundial, reduzindo seu ritmo crescimento. Segundo dados da consultoria MCF, especializada no segmento no País, estima-se uma expansão de 10% este ano, ante uma taxa de 17% até a chegada da crise. Segundo especialistas, uma nova realidade está surgindo - e obrigando o mercado a se reinventar.

"O luxo está certamente em um período de transição, mudando de valores como altos preços e exclusividade, para os de alta qualidade e raridade", afirma James Lawson, diretor e fundador do Ledbury Research, instituto que realiza pesquisas sobre consumidor de altíssima renda para as maiores corporações de bens de luxo do mundo. Lawson participa no Brasil de uma série de debates sobre esse tema na Conferência Internacional do Negócio do Luxo (Atualuxo 2009), que começa hoje, em São Paulo. Segundo Lawson, com a crise, o consumo excessivo e ostentatório foi posto em xeque.

Para outro especialista, o francês Marc Gobé, valores como sustentabilidade e responsabilidade social serão os novos chamarizes para esse consumidor. "Em tempos de crise, a clientela de marcas de luxo vai precisar de novas razões emocionais para justificar sua compra", afirma Gobé, fundador da Desgrippes Gobé, uma das dez maiores empresas de branding (criação de imagem de marca) do mundo. Em razão disso, muitas marcas de luxo estão apoiando causas sociais ou de movimentos artísticos.

No Brasil, onde essa indústria movimentou US$ 5,9 bilhões em 2008, a crise trouxe consequências distintas. Apesar de desacelerar o crescimento registrado nos últimos anos, a turbulência também abriu oportunidades, avalia Carlos Ferreirinha, diretor presidente da MCF, que está organizando o Atualuxo. "O mercado de luxo brasileiro nunca foi prioritário para os investidores e empresas do setor. Agora, com seus principais mercados afetados, o País aparece como uma possibilidade, pela primeira vez."

Segundo Lawson, para as marcas de luxo, o Brasil sempre foi visto como o menos atrativo entre os Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China). Mas, apesar de a China e a Índia ainda atraírem as atenções pela escala de seus mercados, o País já ultrapassou a Rússia em escala de importância.

A nova configuração de mundo será o principal desafio para essa indústria. "Os números estão em queda, mas sempre haverá mercado para produtos inovadores e de qualidade, e não apenas, caros", diz Gobé.

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