Luz de vela e alimento estragado

Em cidade com energia apenas 12 horas por dia, moradora recorre a lanternas

Paola Carvalho, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2019 | 05h00

O sistema que não garante energia elétrica nas 24 horas do dia afeta o dia a dia tanto das pessoas que vivem na capital de Roraima, Boa Vista, como as das cidade do interior.

Caracaraí, a cerca de 140 quilômetros da capital, tem acesso a energia elétrica por cerca de 18 horas por dia. Mas, em algumas localidades da região, é até por menos tempo.

A prefeita de Caracaraí, Socorro Guerra (Pros), afirma que até a própria gestão precisa se virar para manter ofertas simples de serviço, como a entrega da merenda escolar e vacinação. “Toda região do Baixo Rio Branco não tem energia 24 horas (consecutivas). Em alguns lugares, são até 12 horas por dia. O grande problema é que as comunidades ficam sem acesso à internet, sem climatização nas casas e escolas, com a perda de produtos alimentares que precisam de congelamento”, explica. 

Na região da Vila Xixuaú, no município de Rorainópolis, região sul do Estado e distante cerca de 300 quilômetros da capital, a oferta de energia é de apenas 12 horas por dia.

A servidora pública Claudete Cordeiro, de 35 anos, mora em Rorainópolis há cerca de quatro anos e, desde então, teve de mudar alguns dos seus hábitos, como separar parte do rendimento para aquisição de velas, fósforos, lanternas e pilhas. “Atualmente, temos constantes quedas de energia e isso nos prejudica bastante. Desde eletrodomésticos que queimam até nossos produtos alimentares, que estragam. Tudo isso acarreta prejuízos que muitas vezes não temos como sermos ressarcidos, infelizmente. A única coisa que podemos fazer é aguardar e tentar iluminar a casa com velas e lanternas.” 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.