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Luz no fim do túnel

Ao reduzir o número de mortes, a segura ingestão de cloroquina aumenta as vantagens da opção menos radical

Raul Velloso*, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2020 | 04h00

Pipocou ontem o tema da ingestão, já nos primeiros dias da infecção viral, do remédio hidroxicloroquina-azitromicina, que tem eliminado o coronavírus em repetidos casos. Este novo posicionamento coincide com a adesão da dra. Nise Yamaguchi, figura de proa na área, ao gabinete de crise do atual governo. Outro apoio importante veio do dr. Roberto Kalil, cardiologista renomado, que acaba de informar à colunista Monica Bergamo, da Folha, ter ingerido o citado remédio e se livrado do problema. Não faltou insistência do presidente da República em tentar o tempo todo implementar essa solução.

Com efeito, enquanto vacina e remédios não aparecessem, o único jeito de uma pessoa, vista isoladamente, ser imunizada da covid-19 é ser por ela infectada e conseguir sobreviver aos 14 dias que se seguissem, quando o problema desapareceria. O duro é enfrentar o risco de morte nesse meio tempo, que é tanto maior quanto mais destroçado for o sistema de saúde local (o nosso é “nenhuma Brastemp”) e quanto maior for o tamanho do chamado grupo de risco (idosos e acometidos de doenças graves, bem mais suscetíveis ao vírus).

Para minimizar o risco de morte, a escolha óbvia, a princípio, é fazer uma quarentena horizontal, ou seja, mandar todos para casa minimizando os contatos intragrupos por distanciamento ou máscara, excetuando das restrições as atividades ditas essenciais, enquanto se tenta ampliar/melhorar a qualidade da oferta de serviços hospitalares.

Neste caso, dificuldades de implementação à parte (como no caso de comunidades mais pobres com excesso de população), o xis da questão é como sobreviver em atividade econômica mínima. E deve ser logo ressaltado que esse tipo de solução apenas joga o problema de fundo para a frente, pois mais adiante a mesma necessidade de infectar e, depois, purgar ressurge (ainda que com menor risco de perdas por causa de oferta deficiente de serviços).

Uma variante menos radical seria adotar alguma forma de quarentena vertical, em que contingentes como os grupos de risco são testados e separados entre positivos (com o vírus) ou negativos, isolando os primeiros em hotéis temporários à custa do Estado até passarem os 14 dias da “depuração das mazelas”, quando o processo se reiniciaria.

No nosso caso atual, há o agravante de o inverno estar à espreita, pois entre maio e julho é exatamente quando vem a segunda fase do processo de purgação do vírus, quando a hipótese alternativa de intervenção vertical já teria passado. Muitos não sabem, mas o vírus adora temperaturas abaixo de 20°C. Sob estas, ele se propaga mais rapidamente, como já amplamente demonstrado.

Entre economistas, a defesa da quarentena horizontal é ampla, como a de domingo, no Estadão, do eminente professor americano Joseph Stiglitz. Para ele, “a economia será devastada se não salvarmos as pessoas” e somente esse tipo de instrumento, ao que se depreende, poderá salvar. Deduz-se que ele não esteja falando de todas as pessoas que estão sendo afetadas pela profunda recessão em curso, mas seu foco, como o de muitos, seria sobre as que estão na faixa que excede a capacidade instalada dos hospitais.

Já os defensores da estratégia de distanciamento lembram que os países bem-sucedidos no enfrentamento da crise do coronavírus têm sido exatamente os que adotaram procedimento nessa linha: China (fora Hubei), Japão, Coreia do Sul, Malásia, Austrália, Suécia, Holanda e Hong Kong. Para eles, o PIB subiria bem mais nessa hipótese, enquanto, no outro caso, teríamos, no caso do Brasil, perda de produto de cerca de 7,9 pontos de porcentagem do PIB, ou R$ 571 bilhões, conforme cálculos feitos com base em projeções da The Economist.

Ao reduzir o número de mortes, a segura ingestão de cloroquina aumenta as vantagens da opção menos radical, trazendo uma luz no fundo do túnel para maior emprego da população.

*CONSULTOR ECONÔMICO

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