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M. Dias Branco investe em produtos de valor agregado

Os novos negócios, em categorias como snacks, pão de forma e achocolatados, visam a atender consumidores das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Coluna do Broad Agro, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2020 | 05h00

Sem esquecer suas raízes de grande moinho de trigo do Nordeste, a M. Dias Branco investe para ser conhecida como uma das principais empresas de alimentos do País. No ano passado, as vendas de massas e biscoitos representaram 76% da receita, ante 17% vindos da comercialização de farinha. O faturamento líquido em 2019 foi de R$ 6,1 bilhões. A companhia detém a fatia de 33,7% do total de biscoitos comercializados no Brasil e 35,7% das massas.

“O foco é crescer em volume de produção e vendas de itens de maior valor agregado”, conta Fábio Cefaly, diretor de Relações com Investidores e Novos Negócios da M. Dias. Os novos negócios, em categorias como snacks, pão de forma e achocolatados, visam a atender consumidores das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Para tanto, Cefaly não descarta a possibilidade de aquisições de empresas de pequeno e médio porte. Ele afirma que não há nenhum negócio em vista no curto prazo, mas ressalva: “A companhia tomou gosto por incorporações. Estamos sempre atentos a novas oportunidades”.

Mais fit

A M. Dias está aumentando o portfólio de produtos integrais, sem glúten, gordura hidrogenada ou açúcar, de olho nesses mercados em expansão. “É um nicho ainda pouco expressivo, mas em crescimento e que não pode ser ignorado”, justifica Cefaly. Em 2019, a companhia investiu R$ 11,6 milhões em inovação da carteira. 

Para fora

Outra frente que a M. Dias Branco busca expandir é sua presença no mercado internacional. Hoje, 1% do faturamento vem da exportação, com vendas para 35 países das Américas do Sul e do Norte, Europa e África. Em 2019, 34 produtos foram criados especificamente para atender ao mercado externo.

Divisor de águas

A procura por Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) deve crescer após a aprovação, pelo Congresso, da Medida Provisória 897, a MP do Agro, avalia a Vert Securitizadora. Hoje, segundo a gestora, a maior parte dos títulos ainda subsidia operação de indústria. Para o custeio da produção, os CRAs devem se firmar como instrumento apenas na safra 2021/2022, que começa a ser cultivada no segundo semestre do próximo ano. 

Para frente

É que a estruturação da operação leva em média quatro meses, o que não permite compra de insumos para a safra 2020/2021. “Não é por falta de interesse de investidores, pois fundos estrangeiros já nos procuraram com cerca de US$ 500 milhões”, diz Martha de Sá, sócia-fundadora da Vert. Para 2020, a Vert estima pelo menos repetir o resultado de 2019, quando emitiu R$ 3,4 bilhões em CRA e foi líder nessas operações no Brasil.

Concentração

Distribuidoras de insumos agropecuários do Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás continuam na mira de empresas para fusão ou aquisição, conforme o escritório Martinelli Advogados, que assessora revendedoras no segmento. Para Walter Fritzke, consultor do Martinelli, 2020 deve, inclusive, marcar um novo redesenho do setor de agrodistribuidoras, principalmente no Paraná. “Chama a atenção o protagonismo do Estado em operações do tipo, acompanhando um movimento de consolidação visto também em outros países”, diz. 

Assédio

Fritzke conta que o escritório tem sido consultado por distribuidores, interessados em saber como lidar com a abordagem. Entre as operações já conduzidas pelo escritório no Paraná estão a aquisição, pela cooperativa Capal, de Arapoti, das cafeeiras São Carlos e Benetti Coffee; e da cervejaria artesanal Bier Hoff, pela Castrolanda, de Castro. Já a Cocamar, de Maringá, tem agora o controle da Solomar, distribuidora de máquinas agrícolas.

Em curso

A Embrapa vai enxugar a unidade de pesquisa em Parnaíba (PI). O número de funcionários cairá de 61 para 25. “Vamos tirar da agenda a parte de aquacultura e maricultura e trabalhar só com bovinocultura de leite e fruticultura tropical”, diz à coluna Celso Moretti, presidente da estatal. As unidades de Algodão, na Paraíba, e de Arroz e Feijão, em Goiás, também terão mudanças. Para a reformulação, a Embrapa está conversando com consultorias. Em 2019, a Falconi fez trabalho prévio para a estatal. “Não temos nada assinado, mas, pela competência deles, seria muito interessante”, afirma Moretti. A decisão deve sair ainda no primeiro semestre. 

Na cúpula

A Embrapa está mudando também diretorias executivas e um dos nomes cotados para a área de gestão institucional é o do diretor financeiro e de relações com investidores da Brasil Pharma, Leonardo Leirinha Souza Campos. Consultado pela coluna, o executivo não confirmou. A Brasil Pharma teve sua falência decretada em junho de 2019, a pedido da própria empresa. 

Nem tanto

O milho e o algodão, que ajudaram no desempenho do PIB agropecuário em 2019, podem ter menor contribuição em 2020, diz Cesar de Castro Alves, consultor de agronegócio do Itaú BBA. Segundo ele, a base de comparação é elevada porque as duas culturas tiveram crescimento expressivo no ano passado. No caso do algodão, a perspectiva é de um aumento máximo de 1,5% a 2% na produção, enquanto no milho parte da safrinha será plantada fora da janela ideal. “O cereal fica mais sujeito a riscos climáticos.” 

 

ISADORA DUARTE, LETICIA PAKULSKI, GUSTAVO PORTO e TÂNIA RABELLO

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