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M. Jorge: câmbio resulta de momento brilhante do País

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse hoje que a valorização do câmbio é resultado do momento "absolutamente brilhante" pelo qual o País passa. "Somos um dos poucos lugares no mundo onde os investidores se sentem seguros para investir", afirmou, após visitar o Salão Duas Rodas, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na capital paulista.

ANNE WARTH, Agencia Estado

08 de outubro de 2009 | 15h47

Segundo ele, essa situação resulta em uma entrada de capital externo importante para o Brasil. "Temos alguns IPOs (ofertas de ações), como o mais recente no sistema financeiro, que também trouxeram um fluxo de dólares importante para o País", disse, referindo-se ao banco Santander Brasil. Para o ministro, entretanto, esse problema será superado a partir do momento em que o País retomar a atividade econômica nos níveis pré-crise. "Tudo isso traz efeito no câmbio, mas eu acredito que passaremos por isso tão logo comecemos a mostrar que já saímos da crise, quando o País voltar a ter uma atividade econômica normal".

A avaliação foi feita porque, para alguns economistas, na medida em que acontece a efetiva retomada econômica, crescem também as importações e o câmbio tende a se equilibrar.

De acordo com Jorge, o governo tem pouco a fazer para auxiliar os exportadores a elevarem a competitividade de seus produtos. "Eles têm que procurar, como fabricante, reduzir custos para serem mais competitivos em relação aos produtos importados. O governo vai trabalhar com incentivos, mas incentivos tradicionais, como financiamentos. Ficaremos absolutamente dentro das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), que permitem pouca ação em termos de subsídio.

Na avaliação do ministro, a discussão sobre a retomada do aumento da taxa básica de juros no ano que vem é prematura. "Acho que ainda não deveríamos estar discutindo isso. Deveríamos estar discutindo a retomada do crescimento econômico".

"Doença holandesa"

O ministro disse que o governo vai desenvolver uma política industrial para evitar que o País sofra com a "doença holandesa", conceito econômico que se refere à relação entre a exploração de recursos naturais e o declínio do setor industrial em uma economia. "Faremos uma política industrial para que grande parte dos equipamentos necessários à indústria de exploração do petróleo da camada do pré-sal sejam feitos no Brasil", afirmou. "É o contrário da doença holandesa. Faremos exatamente o contrário do que se caracteriza como o efeito da doença holandesa", afirmou.

Para Miguel Jorge, o Brasil possui uma base industrial grande e diversificada, ao contrário da Holanda, país que deu nome a esse conceito. Chama-se assim porque durante os anos 60, houve uma escalada dos preços do gás que aumentou substancialmente as receitas de exportação da Holanda e valorizou o florim (moeda da época), o excesso de exportação de gás derrubou as exportações dos demais produtos por falta de competitividade nos anos 70. "Acho que tivemos sorte nos anos 50 e 60 por não termos descoberto muito petróleo. Isso permitiu que nós desenvolvêssemos uma base industrial que hoje faz com que o Brasil cresça", disse o ministro. "Faremos com que a base industrial do Brasil cresça ainda mais com a exploração do pré-sal."

As preocupações em relação ao câmbio no Brasil aumentaram depois que o dólar fechou cotado na terça-feira cotado a R$ 1,752, a menor cotação desde 8 de setembro de 2008, apesar das compras diárias realizadas pelo Banco Central.

O ministro disse que o câmbio não preocupa o MDIC. "Ainda não, porque mais de 70% da importações brasileiras são de matérias-primas e de máquinas e equipamentos. Portanto, o câmbio como está hoje aumenta as importações para a produção e a atividade econômica", afirmou. Em sua avaliação, sempre haverá descontentes em relação à cotação do dólar. "Em alguns momentos serão os exportadores e em outros, os importadores."

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