M. Jorge prevê Copom conservador, sem corte de juros

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse esperar que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantenha a taxa de juros básica (Selic) no atual patamar de 11,25% ao ano. Na avaliação do ministro, essa decisão, no entanto, será mais influenciada pelas incertezas quanto aos reflexos da crise do crédito imobiliário de alto risco (subprime) no mercado americano, no mercado brasileiro, do que propriamente pelo aquecimento da economia interna brasileira. "Acho que é uma posição (do Copom) conservadora, mas correta, essa de esperar para avaliar melhor os reflexos da crise americana", disse o ministro, que participa esta manhã da cerimônia de lançamento do PAC da Saúde, no Palácio do Planalto.Miguel Jorge disse que há sinais no mundo que justificam uma cautela maior do Banco Central brasileiro em relação aos reflexos dessa crise, citando, como exemplo, o fato de que há alguns dias o mercado financeiro na Europa teria reduzido muito a sua liquidez, e isso porque vários bancos estariam tendo dificuldades em vender seus papéis.Produção industrialSobre os números da expansão da produção industrial, divulgados hoje pelo IBGE, o ministro afirmou que o movimento de expansão já era esperado, podendo apenas surpreender no tamanho. "É um resultado muito bom e que como já vimos acompanhando há algum tempo está muito lastreado na alta do consumo interno", afirmou Miguel Jorge, acrescentando que não vê preocupação de alta de inflação por causa desses dados.Ele argumenta que a partir do final do ano e início de 2008 deverá haver uma redução nesse movimento industrial, porque tradicionalmente as indústrias, já tendo reduzido seus estoques, tendem a diminuir também a sua produção. "É um momento em que muitas até dão férias coletivas, fazem reestruturação em suas fábricas, aproveitando a baixa natural do ritmo da economia", disse.

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