Macarrão deve subir mais 15%

Pressão sobre preços só deve arrefecer com nova safra

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

O preço do macarrão deve aumentar mais 15% até o mês de agosto, quando chega ao mercado a nova safra de trigo do Brasil e do Hemisfério Norte. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), Cláudio Zanão, não há como o setor não repassar para os preços os aumentos de custo provocados pela escassez de trigo no mercado mundial, agora agravada pela decisão da Argentina de manter suspensas as exportações do cereal. No primeiro trimestre, o setor já fez um repasse de 15% para o preço do macarrão."Houve um aumento do consumo mundial e o estoque de trigo está reduzido, o que empurra os preços para cima", diz Zanão. Ele prevê que os preços mundiais apenas poderiam começar a ceder com a entrada da nova safra, a partir do segundo semestre.No caso do Brasil, a safra deste ano deverá vir com aumento de 25% em relação à produção anterior, que somou cerca de 3 milhões de toneladas de trigo. O problema é que o País consome 10,5 milhões de toneladas por ano. Para atender à demanda, a indústria importa o cereal, principalmente da Argentina. No entanto, o país vizinho reteve as exportações para conter a inflação local.Sem o trigo argentino, o Brasil passou a importar dos Estados Unidos e Canadá, porém a preços e custos de frete maiores. "O governo brasileiro precisa tomar medidas para atenuar os aumentos de preços", defende o presidente da Abima. Nesse sentido, as entidades que reúnem as indústrias de processamento de trigo e derivados pedem ao governo a retirada de vários impostos para evitar o repasse da alta de custos para os preços do pão, das massas e biscoitos. Entre as medidas de desoneração está a retirada, ainda que em caráter emergencial, do ICMS incidente sobre o trigo e seus derivados. O imposto pode representar até 36% do custo do produto final. Outro pleito é a inclusão dos produtos derivados do trigo no projeto de reforma tributária."Serão necessárias duas ou três safras mundiais para reequilibrar a oferta com a demanda, para os preços voltarem aos níveis normais", diz Zanão.

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