Macedo é afastado e comitê executivo assume comando da Varig

A Varig informou que o comitê executivo de vice-presidentes anunciado hoje passará a comandar a empresa até a concretização da fusão com a TAM, mas admitiu que há "fatores de risco" para o sucesso do projeto. Alguns deles são ações judiciais contra a fusão, eventual discordâncias de instituições financeiras quanto ao processo ou a ocorrência da cláusulas suspensivas previstas no acordo. "O projeto é esse e todos estão fortemente interessados em que ela (a fusão) ocorra. Entretanto, não podemos deixar de ter um Plano B", disse o presidente do conselho de administração da Varig, Joaquim Fernandes dos Santos, ao anunciar que os vice-presidentes Luiz Martins (operacional), Alberto Fajerman (comercial) e Luiz Wellish (financeiro) formarão o comitê que comandará a empresa. O executivo Roberto Macedo foi afastado da presidência. Apesar de dizer que "nunca se traça um plano sem uma alternativa", o presidente do conselho não deu detalhes de qual seria o Plano B. Alguns dos pontos que precisam ser ultrapassados para a concretização da fusão, depois da assinatura do contrato de associação, são a negociação com os credores, dos direitos de tráfego para outros países, uso da marca, proposta para ajuste dos quadros de pessoal, dentre outros. Quanto "à influência externa junto aos agentes financeiros", referida durante o anúncio, Santos explicou que estava se referindo à eventual pressão da Associação de Pilotos da Varig (Apvar) junto a credores. Para a Varig, contudo, o plano da associação não é factível e a entidade tem representatividade "razoavelmente baixa", que são cerca de 500 associados para um quadro total de 1.800 pilotos e o total de 13 mil funcionários. "A assinatura do acordo é simplesmente o primeiro passo de um longo caminho que temos pela frente. Há uma série de fatores que têm de ser ainda acordados e fazem parte do desenvolvimento do contrato", disse Martins. O executivo reafirmou que nenhuma das duas empresas atuais irá predominar na nova empresa aérea. Segundo a Varig, a nova empresa deverá surgir com entre 135 e 140 aviões, perto de 63% do mercado doméstico, liderança no internacional, 26 milhões de passageiros ao ano e na 15ª colocação no ranking global. O próprio executivo admitiu que a geração operacional da companhia aérea é positiva, mas "insuficiente para atender às dívidas". Desde o ano passado, o grupo busco solução junto a investidores, que não apareceram, e alternativa hoje gira em torno das negociações para a fusão.

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