Maciel: déficit em conta externa foi recorde para março

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse que o resultado das contas externas anunciado nesta quarta-feira foi recorde para o mês de março, o primeiro trimestre do ano e também no acumulado de 12 meses, até o mês passado. "Observamos uma ampliação do déficit em transações correntes de quase US$ 13 bilhões no primeiro trimestre do ano". A série mensal do BC começou em 1990 e a anual, em 1947.

CÉLIA FROUFE E EDUARDO CUCOLO, Agencia Estado

24 de abril de 2013 | 11h44

Maciel comentou que o resultado mensal, negativo em US$ 6,873 bilhões, ficou próximo ao que a instituição previa, de um déficit de US$ 6,3 bilhões. Maciel fez questão de enfatizar que essa diferença no trimestre é contraparte da entrada de poupança externa no País. "Isso é benéfico, pois complementa a poupança interna para investimentos no País. Este é um ponto relevante quando se avalia a questão da sustentabilidade do crescimento econômico", considerou.

Comércio exterior

Segundo Maciel, mais da metade do aumento do déficit do setor externo no primeiro trimestre deste ano se deve ao comércio exterior. Dos US$ 13 bilhões de aumento do rombo visto na passagem dos três primeiros meses do ano passado para igual período em 2013, aproximadamente US$ 7,5 bilhões se devem à balança comercial.

Maciel salientou que, nesse período do ano passado, a balança registrava um superávit de US$ 2,4 bilhões e no primeiro trimestre deste ano o déficit é de US$ 5,2 bilhões. "Outro fator determinante é a remessa de lucros e dividendos, que no primeiro trimestre deste ano está US$ 12,7 bilhões acima de igual período do ano passado", disse.

O chefe do Departamento Econômico do BC afirmou que os resultados da balança comercial e das remessas de lucros e dividendos são dois itens associados ao momento da economia. "Agora, a economia mostra mais dinamismo. O IBC-Br está apontando para um PIB melhor para este trimestre do que o de 2012. Há outro ritmo de crescimento econômico e isso traz implicações para as contas externas, em particular nestas duas contas", argumentou. Maciel disse, ainda, que as exportações estão em declínio e as importações crescem em torno de 6%, com a maior demanda por bens e serviços externos.

Exportações

A queda nas exportações no primeiro trimestre de 2013 em relação a 2012 reflete, principalmente, a recuperação mais lenta da economia global, segundo Maciel. "Temos Europa, EUA e mesmo China, que cresce em ritmo mais elevado, mas o resultado anunciado recentemente ficou abaixo do esperado por analistas. Isso repercute nas exportações", afirmou. Maciel disse ainda que a safra de soja neste ano foi mais tarde.

Em relação às importações, ele explicou que os números também refletem o momento da economia. "O crescimento das importações de bens de capital está acima de 10%. Estamos observando retomada do investimento nesse período. Isso está visível nos dados de importação. Bens intermediários também mostram crescimento". Segundo o executivo do BC, a mudança na contabilização das compras de combustíveis não é o fator principal. "O quadro geral está associado ao momento da economia brasileira e ao cenário global."

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