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Maconha vira agronegócio e causa danos ambientais na Califórnia

Morte de animais em extinção estaria sendo causada pelo uso de veneno de rato para proteger plantações

The New York Times,

21 de junho de 2013 | 18h01

ARCATA, CALIFÓRNIA - A morte de um exemplar de uma espécie rara da família das doninhas chamou  a atenção de ecologistas para os danos ambientais provocados por plantadores de maconha, uma atividade crescente nos Estados Unidos, seja para fins medicinais ou de entretenimento em estados onde a droga já é liberada.

Algumas fazendas de maconha desviam córregos, enquanto outros usam métodos de conservação e constroem lagoas para retenção das águas fluviais.

Estufas de produção de maconha em Homboldt, na Califórnia: preocupação ambiental (foto:NYT)

O animal, um pescador pacífico cientificamente chamado de Mustela nivalis, morreu envenenado por um anticoagulante usado em veneno de rato. Desde então, outros seis pescadores envenenados foram encontrados.

Duas corujas manchadas ameaçadas também teriam morrido pelas mesmas causas. Mourad W. Gabriel, cientista da Universidade da Califórnia, afirma que a contaminação começou quando os plantadores de maconha em áreas de florestas passaram a utilizar veneno de rato do tipo d-Con para proteger suas plantas de ratos que vivem em áreas de produção de madeira.

A notícia contribuiu para fazer com que os produtores reconheçam, a contragosto, o que os seus antagonistas na aplicação da lei afirmam há tempos: assim como a produção de madeira industrial, o negócio florescente de produção de maconha nos Estados Unidos é também uma ameaça às florestas de sequóias, onde existem ecossistemas vibrantes.

Deslizamentos de terra em encostas sujeitas a erosão, estradas em construção formando barreiras que entopem riachos e problemas do gênero estão sendo apontados pelos defensores das florestas.

A capacidade de jurisdições locais e estaduais para lidar com o problema foi afetada, entre outras coisas, pelo estatuto jurídico obscuro referente à droga. Com o uso aprovado pelo Estado para usos médicos, mas ainda ilegal sob a lei federal, a maconha tem hoje uma legislação que parece uma colcha de retalhos. Alguns produtores trabalham dentro das regras do Estado, enquanto outros funcionam totalmente fora da lei.

"Na minha carreira, nunca vi nada como isso", disse o cientista Stormer Feiler, que trabalha na área de controle da qualidade de água da Califórnia. "Desde 2007, a quantidade de atividades não regulamentadas explodiu".

Scott Bauer, da Secretaria de Estado de Pesca e Vida Selvagem, disse: "Visitamos um sítio onde havia um desvio de água para 15 diferentes grupos de produtores. O fluxo vai secar este ano."

Cartéis de drogas mexicanos adotam práticas ambientais ainda mais destrutivas.Cada planta precisa de um a seis litros de água por dia, segundo os especialistas.

Para os hippies que se mudaram para a Califórnia há décadas, a agricultura de maconha continua representando o desafio de restrições da sociedade, mas agora significa também garantia de uma renda constante. "A maconha ganhou notoriedade na década de 1930 com músicos de jazz", disse Gregg Ouro, professor de psicologia da Humboldt State University. "É um ícone cultural de resistência à autoridade".

Em 2013, acrescenta ele, o debate novo sobre o tema é a regulamentação do cultimo de maconha como mais um tipo de agronegócio. "Isso é uma grande mudança".

E trata-se de um agronegócio pujante. Derek Roy, um agente especial de proteção de espécies ameaçadas do Serviço Nacional de Pesca Marinha, diz que o setor decolou depois de 1996, quando a Califórnia descriminalizou o uso da maconha medicinal.

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