Enrique Marcarian|Reuters
Enrique Marcarian|Reuters

Macri começa aproximação com o Pacífico

Argentino elege Colômbia para 1ª visita oficial; dia 30, será observador em cúpula no Chile

Rodrigo Cavalheiro, correspondente, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2016 | 05h00

BUENOS AIRES - Seis meses após assumir a presidência argentina, Mauricio Macri começa a colocar em prática a promessa de se aproximar de países da Aliança do Pacífico, bloco que conta com Chile, Colômbia, Peru e México. A primeira etapa de um movimento que terá impacto sobre o Mercosul será encontrar nesta quarta-feira, 15, em sua primeira visita oficial, o líder colombiano Juan Manuel Santos.

A escolha de Bogotá como destino indica uma mudança radical de estratégia em diplomacia e comércio exterior, em relação aos 12 anos de kirchnerismo.

Eleito pela primeira vez em 2010, Santos é o defensor do livre mercado há mais tempo no poder na América do Sul. Macri é o mais recente. Depois de firmar parcerias com Santos, ele estará amanhã em Medellín, para a versão latino-americana do Fórum Econômico Mundial.

O segundo passo concreto de Macri em sua guinada para o Pacífico foi pedir ao bloco vizinho para que a Argentina fosse aceita como observadora, status que Uruguai e Paraguai já tinham. Com a solicitação aceita, ele poderá avançar no salto em direção ao oeste: será a maior novidade na foto oficial da cúpula que reunirá no dia 30, no Chile, os presidentes da Aliança do Pacífico.

“Há um objetivo claro do presidente de trabalhar arduamente com uma aliança real com os países do Pacífico e unir essas vontades com as do Mercosul”, disse a chanceler Susana Malcorra ao revelar o pedido para que o país se tornasse um observador.

Conforme o economista Marcelo Elizondo, da consultoria DNI, um acordo entre os blocos demandará anos de negociações. A meta no curto prazo de Macri é recuperar a reputação de seu país. “Com o kirchnerismo, compramos brigas com os vizinhos, com os EUA, com a União Europeia e com credores. Aproximar-se dos países do Pacífico melhora a imagem argentina”, avalia Elizondo. O economista acredita que Macri não falará em nome do Mercosul, mas sabe que conta com a aprovação tácita dos vizinhos para essa iniciativa. “Com a crise atual brasileira, o movimento não é uma descortesia”, diz.

A Aliança do Pacífico foi criada em 2011 como um mecanismo de integração econômica aberto ao livre comércio. Cerca de 90% dos produtos desses países circulam com tarifa zero e a região concentra 41% do investimento estrangeiro na América Latina. Segundo o FMI, o Peru crescerá este ano 3,7%, a Colômbia, 2,5%, o México, 2,4%, e o Chile, 1,5%.

Alfredo Gutiérrez Girault, economista-chefe do Instituto Argentino de Economistas de Finanças, vê na aproximação iniciada por Macri um trampolim para os mercados do Leste Asiático. “A aproximação é positiva. Sempre há algum risco, mas deve haver políticas econômicas para diminui-lo.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.