Agustin Marcarian/Reuters
Agustin Marcarian/Reuters

Argentina enfrenta greve geral em meio à campanha pela reeleição de Macri

Paralisação contra o governo de Maurício Macri afeta transportes públicos, escolas, universidades e bancos no país. Em São Paulo, 27 voos que partiam ou voltavam da Argentina foram cancelados

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2019 | 10h10

BUENOS AIRES -  Uma greve geral contra o governo de Maurício Macri paralisou transportes públicos, escolas, universidades e bancos na Argentina nesta quarta-feira, 29. A paralisação foi convocada pelas principais centrais sindicais do país e é a quinta enfrentada pelo presidente argentino, que tenta sua reeleição em meio ao cenário de crise.

Os sindicatos reivindicam aumentos salariais alinhados ao índice inflacionário de 55% ao ano e protestam contra o aumento do desemprego, que em 2018 fechou em 9,1%. "Há muita discordância com o governo. Muitos trabalhadores votaram neste governo porque acreditaram que ele iria retirar o imposto sobre o trabalho. Mas hoje não voltarão a se equivocar", disse o líder sindical, que apoia a chapa eleitoral de Alberto Fernández e Cristina Kirchner

Além da falta de transporte público, as principais cidades argentinas amanheceram sem coleta de lixo e com os bancos fechados. No início do dia, as ruas estavam vazias, com poucos estabelecimentos comerciais abertos. Os hospitais estão atendendo apenas emergências.

Apesar de os sindicatos não terem anunciado passeatas, grupos de esquerda organizaram bloqueios em estradas, nas vias de acesso à capital. A polícia foi mobilizada para evitar o bloqueio total do trânsito. Os principais acessos a Buenos Aires, como a ponte Pueyrredón e a ponte La Noria, estão fechados, e não há voos nacionais ou internacionais nos aeroportos do país, exceto para a companhia aérea de baixo custo Flybondi, que está operando no aeródromo de El Palomar, na capital.

No Aeroporto de Guarulhos, 17 voos que iam para a Argentina e 10 que voltavam foram cancelados. Os voos da Turkish Airlines e da Qatar Airways, por enquanto, vão continuar operando, mas com atraso.

"A população é refém da existência ou não do transporte. Vimos isso na paralisação anterior, em abril, durante a qual o transporte funcionou e as pessoas compareceram em massa ao trabalho", disse o ministro dos Transportes, Guillermo Dietrich.

A quinta greve geral contra o governo de Mauricio Macri ocorre em um momento de crise econômica no país, marcada por inflação de mais de 50%, desemprego e aumento da pobreza. O presidente está caindo nas pesquisas para as eleições de outubro, enquanto cresce a imagem da ex-presidente Cristina Kirchner, alvo de processos judiciais por acusações de corrupção e que vai disputar como vice-presidente na chapa de seu ex-chefe de gabinete Alberto Fernández.

Recessão

A Argentina entrou em recessão em 2018, após duas corridas cambiais que provocaram o aumento da inflação e levaram o governo de Macri a assinar um acordo para receber ajuda de US$ 56 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em troca, o país se comprometeu a alcançar o equilíbrio fiscal em 2019 e o superávit em 2020. O plano de ajuste é rejeitado pelos sindicatos. Em abril, a inflação atingiu 55,8% no comparativo anual. / AFP e EFE

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