Enrique Marcarian/Reuters
Enrique Marcarian/Reuters

Macri nomeia liberal para o Ministério da Fazenda da Argentina

O ex-presidente do Banco Central Alfonso Prat-Gay coordenará a economia, mas com poder reduzido 

Rodrigo Cavalheiro, correspondente, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2015 | 02h04

BUENOS AIRES - O ex-presidente do Banco Central argentino Alfonso Prat-Gay foi confirmado nesta quarta-feira como ministro da Fazenda e Finanças do conservador Mauricio Macri, eleito presidente no domingo. Economista de origem liberal com boa relação com outros partidos, exceto o kirchnerismo, Prat-Gay será o coordenador da política macroeconômica, mas disporá de menos poder do que tinha o ministro da Economia, cargo extinto.

Macri, que venceu o segundo turno da eleição contra o governista Daniel Scioli por 51,4% a 48,6%, dividiu seu gabinete econômico em seis pastas (Fazenda e Finanças, Trabalho, Energia, Produção, Transporte e Agricultura). A mais importante delas é a de Prat-Gay. Rogelio Frigerio, outro nome cotado para a Fazenda, será ministro do Interior. Juan José Aranguren, presidente da Shell no país até junho, comandará Energia.

Prat-Gay, de 50 anos, trabalhou sete anos no banco JP Morgan em Nova York, Londres e Buenos Aires. Foi presidente do BC entre dezembro de 2002 e setembro de 2004, passando pelas presidências de Fernando Duhalde e Néstor Kirchner, quando o país começou a recuperar-se da crise de 2001.

Entre 2009 e 2013, foi deputado pela Coalizão Cívica, agrupamento de centro. No período, ele se aproximou de uma visão social-democrata da economia, com concessões à participação estatal. Seu histórico o coloca mais perto do setor de finanças do que do industrial.

Uma frase sua numa palestra há um ano foi usada contra Macri pelo tom discriminatório contra províncias pequenas. "Que não aconteça de em 2020 estarmos falando de um fulano que veio não sei... de Santiago del Estero, que não conhecíamos, que apareceu do nada, e ficou com todo o poder". Os Kirchners saíram de Santa Cruz, província conhecida pela população de pinguins no sul do país.

Macri prometeu reerguer a economia com o fim do controle de câmbio vigente desde 2011 e medidas protecionistas. Ele defende um Banco Central independente e tem reiterado o pedido de renúncia do atual presidente, Alejandro Vanoli, militante kirchnerista. Vanoli é alvo de uma investigação por vender "dólar futuro" em larga escala, em uma manobra para minimizar as perdas do país em reservas, estimadas em US$ 25,8 bilhões. Macri quer colocar Federico Sturzenegger no cargo, mas depende da renúncia de Vanoli, que tem mandato até 2019.

"A equipe é muito qualificada e terá muito trabalho", disse ao Estado o economista liberal José Luis Espert, que foi cogitado para integrá-la. "Meu nome foi citado durante a campanha para atacar Macri, uma vez que ser um liberal na Argentina ainda é visto como algo ruim."

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