Macroeconomia mundial influencia Brasil

Os últimos aumentos nos juros norte-americanos encareceram o preço dos empréstimos para as empresas. De acordo com o consultor e analista econômico e diretor da Nix Asset Management, Francisco Petros, o resultado disso é uma elevação do custo de capital dessas empresas. "Isso dificulta a redução do prêmio de risco de títulos externos de países emergentes como o Brasil", avalia. Conseqüentemente, deterioram-se as condições para investimentos em ações, pois este aumento de risco faz com que sejam exigidos retornos maiores para as aplicações em ações. Ainda quanto à economia americana, a Nix coletou dados de mercado sobre os pré-anúncios de resultados de 673 empresas com ações negociadas no mercado acionário. Na amostra, apenas 18% da empresas previram expectativas em linha com as estimativas dos analistas. "Como se pode perceber, a temporada de divulgações de resultados está muito ruim e isto é péssimo tanto para a economia americana, quanto a economia mundial".Complementando a informação, ele afirmou que "as perspectivas do mercado de ações americano são ruins e, adicionalmente, mais imprevisíveis". Citou também que o índice S&P 500 - índice que envolve as 500 maiores companhias americanas - até 12 de outubro último apresentou uma queda de 9,5% neste ano. Do nível máximo atingido em 24 de março último, a queda atinge 12,9%. Quanto ao índice da Nasdaq - bolsa norte-americana que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet -, Petros disse que a queda é mais importante. Neste ano, até 10 de outubro, a queda do índice já atinge 24,4%, sendo que do nível máximo atingido em 10 de março último, a queda é de 39,1%. Cenário imprevisível para o euro, petróleo e política americana deixa os investidores apreensivosPetros alerta ainda que os fundamentos do Euro, o elevado preço do petróleo, o ritmo da atividade econômica nos EUA, o andamento da política monetária do Federal Reserve - banco central dos EUA - e a eleição americana são fatores igualmente difíceis de prever. "São riscos importantes para os países mais desenvolvidos e especialmente para países como o Brasil", avalia.

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