Madri e Paris querem mecanismo bancário até fim do ano

Os ministros das finanças de França e Espanha pediram nesta quarta-feira uma supervisão bancária comum na zona do euro que funcione até o final do ano, enquanto aumentaram os temores sobre os crescentes custos de empréstimos da Espanha, empurrando o país para a necessidade de um resgate.

Reuters

25 de julho de 2012 | 13h40

O presidente da França, François Hollande, também disse que as medidas decididas na cúpula da União Europeia (UE) no último mês precisam ser implementadas rapidamente, enquanto a Espanha luta para colocar as suas finanças em ordem.

O pedido conjunto para uma supervisão bancária feito pelo ministro das Finanças da Espanha, Luis de Guindos, e seu colega francês, Pierre Moscovici, depois de um encontro em Paris repetiu observações feitas por De Guindos e o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, após reunião na terça-feira.

"Nossa estratégia comum para a estabilidade da zona do euro inclui a adoção, até o final deste ano, de um mecanismo único de supervisão para bancos da zona do euro, envolvendo o BCE (Banco Central Europeu)", afirmaram Guindos e Moscovici, em declaração conjunta.

"Nós esperamos propostas (...) em setembro e o compromisso para uma negociação rápida. Esse mecanismo de supervisão vai abrir caminho para recapitalizações diretas com condicionalidades apropriadas", disseram.

Os ministros declararam que os yields (rendimentos) da dívida da Espanha, com altas de cerca de 7 por cento, não refletem os fundamentos econômicos do país, seu potencial de crescimento e a sustentabilidade do seu déficit público.

A união bancária proposta precisa ser colocada em prática antes que o fundo permanente de resgate, o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês), possa fornecer ajuda direta para bancos, sob medidas acertadas na cúpula dos dias 28 e 29 de junho para tornar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF) e o ESM mais flexíveis e eficientes.

Hollande disse aos seus ministros que é "absolutamente necessário implementar decisões tomadas na cúpula de junho rapidamente e firmemente", segundo a porta-voz do governo Najat Vallaud-Belkacem, quando perguntada se o presidente falou sobre os riscos de a Espanha precisar de um resgate.

De Guindos disse à Reuters, quando saía do encontro com o ministro francês, que a reunião correu "muito bem", mas não fez maiores comentários sobre o tema.

Moscovici disse que assegurou a De Guindos que a França apoiaria a Espanha durante a crise bancária, que está afetando todo o bloco.

(Reportagem de Emmanuel Jarry, Leigh Thomas, Catherine Bremer e Nick Vinocur em Paris e Paul Day em Madri)

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