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Madri sediará 2º encontro entre UE, AL e Caribe

Os documentos que deverão ser assinados pelos 33 chefes de Estado latino-americanos e caribenhos, além dos 15 chefes de Estado e governos europeus começaram a ganhar forma a partir desta terça-feira em Bruxelas, quando foi encerrada uma das últimas reuniões preparatórias para o Encontro de Madri, previsto para os dias 17 e 18 de maio. Madri será o seguimento do Encontro do Rio de Janeiro, onde os 48 chefes de Estado dos países latino-americanos, Caribe e Europa encontraram-se em junho de 1999.A preparação começou há mais de um ano, mas, a dois meses do Encontro, os diplomatas negociadores não conseguiram ainda definir se Madri será uma grande festa ibérica, onde os chefes de Estado, latinos e europeus, irão apenas ratificar a vontade de intensificar o diálogo político ou se realmente, vão assumir o compromisso de fato de avanço nas negociações bi-regionais."No Rio, os chefes de Estado adotaram a decisão de estabelecer uma parceria estratégica bi-regional e agora gostaríamos de ir além disto, estabelecendo regras e prazos. Mas hoje estamos ainda esboçando o documento a ser assinado pelos chefes de Estado, que será a declaração de princípios políticos", explicou à Agência Estado o negociador brasileiro, embaixador Araujo Castro, sub-secretário geral para assuntos multilaterais do Itamaraty.Europeus e Latinos querem que o Encontro de Madri mostre ao mundo que 48 chefes de nações diferentes, representando cerca de 700 milhões de pessoas no mundo, têm problemas em comum, apesar das diferenças sócio-culturais, como a questão do desemprego, da imigração, do desnível social, entre outros.O embaixador argentino Victorio Tacceti, sub-secretário de política latino-americana, destacou: "Desta vez queremos que os chefes das nações assinem um documento mais curto, menos ambicioso, porém mais direto. Que o cidadão comum se identifique com o que estará sendo acordado".MercosulO presidente Fernando Henrique Cardoso confirmou sua presença em Madri e ficou acertado nesta terça-feira, em Bruxelas, que os quatro países do Mercosul e os 15 Estados Membros da União Européia farão uma reunião separada no dia 17 de maio."Menos países, maior consenso", afirmou o embaixador brasileiro Araujo Castro, explicando que neste encontro os chefes de Estado devem adotar o compromisso de concluir o Acordo Bi-regional de Política, Cooperação e Comércio o mais rápido possível. "O que vamos definir até maio é se estabeleceremos uma data para o término das negociações ou não", garantiu Araújo Castro.O que será uma prova de fogo para ambos os lados, porque todos sabem onde esbarra o impasse deste acordo. Os países do Mercosul querem acesso agrícola ao mercado europeu e alguns países da UE, como a França, por exemplo, mantêm a posição de que qualquer acesso a mercado deve ser discutido no âmbito das negociações multilateriais da Organização Mundial de Comércio (OMC)."Muitas vezes as negociações avançam de baixo para cima, outras de cima para baixo e, nesta reunião à parte não vamos discutir tarifas, nem subsídios, vamos discutir diretamente como podemos vender mais. E assim, poderemos dar aos nossos negociadores um recado preciso de como podemos avançar", garantiu o embaixador argentino Victorio Tacceti.Países AndinosExiste outro impasse ainda ser decidido. A comunidade Andina (Venezuela, Bolívia, Equador, Colômbia e Peru) e os países da América Central querem receber da UE o compromisso de uma negociação bi-regional.Apesar da simpatia de países como Espanha, Bélgica, Suécia e Inglaterra, há resistência por parte da França, que considera prematuro um compromisso de intercâmbio com estas regiões que, segundo o que foi levantado durante as discussões, não estariam preparados para implementar o Acordo do Uruguai (negociações multilaterias que deram origem à OMC em 1994).Existe divisão entre os próprios europeus. O grupo simpatizante dos países latinos defendem a idéia de que a "fragilidade econômica" da América Central não pode ser um fator contra, mas a favor, logo que a Europa tem assinado, por exemplo, um acordo com os países ACP (Africa, Caribe e Pacífico), onde muitos também não apresentam condições de seguir regras internacionais."Por que os países ACP devem ser acima do bem e do mal? Só porque são ex-colônias européias? ", analisou à Agência Estado uma fonte comunitária.O Brasil preside o lado latino do Encontro, dividindo algumas tarefas com o México. O embaixador mexicano, Porfírio Muñoz, explicou que a mensagem da reunião de Madri é clara: "A América Latina deseja reverter o afastamento da Europa, tirar dos europeus o compromisso político concreto de negociações bi-regionais e avançar a curto prazo com os andinos e centro-americanos".

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