Mãe-de-santo nega participação no escândalo do banco Noroeste

A mãe-de-santo Maria Rodrigues da Silva afirmou hoje, em depoimento de mais de três horas ao juiz suíço Daniel Devaud, em São Paulo, que parte dos R$ 4 milhões que já teriam sido encontrados em suas contas bancárias foram originados de uma "pequena fortuna que ela diz ter encontrado debaixo do colchão" de seu pai quando ele morreu, no final dos anos 90. O juiz Devaud está no Brasil para investigar o desfalque de R$ 240 milhões contra o banco Noroeste, descoberto em 1997, quando o banco foi vendido para o espanhol Santander. Segundo investigações policiais, a mãe-de-santo poderia ter recebido R$ 8 milhões desse dinheiro, repassados a ela pelo principal acusado do desfalque, o ex-diretor da área internacional do banco, Nelson Sakagushi, que está preso na Suíça, desde julho de 2002, acusado de lavagem de dinheiro e fraude contra o sistema financeiro daquele país.Sakagushi chegou a afirmar, no início das investigações que havia doado para a mãe-de-santo cerca de R$ 18 milhões. Os advogados dos ex-controladores do banco - as famílias Simonsen e Cochrane - garantem que até o momento apenas R$ 4 milhões foram encontrados pela Polícia Federal depois que a Justiça decretou a quebra do sigilo bancário dela. Como o processo corre em segredo de justiça, a PF não fornece informações.De acordo com a mãe-de-santo, Sakagushi a compensava pelos serviços espirituais que prestava a ele. "Eu benzia os documentos dos negócios que ele estava realizando para que tudo desse certo", disse. Segundo o advogado dos ex-donos do banco, Domingos Refinetti, o depoimento de Maria foi confuso. "Ela não conseguiu explicar claramente nem a origem e nem o destino do dinheiro; deu diversas versões contraditórias, sem sentido, para a história", disse. O juiz suíço chegou ao Brasil esse fim de semana acompanhado do advogado Olivier Cramer, que defende Sakagushi na Suíça. As audiências com testemunhas e envolvidos no processo deverão se prolongar por toda esta semana. Devaud já anunciou que não vai se manifestar sobre as investigações. "Ele disse que se fosse na Suíça ele falaria, mas como o processo no Brasil corre em segredo de Justiça ele vai respeitar o pedido das procuradoras federais responsáveis pelo caso e não se manifestará", disse Refinetti.

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